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Chapter 7: O Custo da Proteção

Helena resgata seu pai da mansão Viana, mas Rafael é baleado ao protegê-la. Em um refúgio seguro, Helena cuida dos ferimentos de Rafael, rompendo a barreira profissional entre eles enquanto consolidam sua aliança estratégica. O capítulo termina com a ameaça iminente de um vazamento para a imprensa.

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O Custo da Proteção

O cheiro de pólvora e sangue metálico impregnava a limusine, um contraste obsceno com o couro impecável do estofado. Helena mantinha o pé cravado no acelerador, os olhos fixos no breu da estrada enquanto os portões da mansão Viana desapareciam no retrovisor. Ao seu lado, Rafael estava pálido, a mão enluvada pressionando com força o ferimento no ombro. O tecido escuro de seu terno já estava encharcado por uma mancha larga e viscosa.

— Helena — a voz dele saiu áspera, um comando disfarçado de esforço. — Siga para a clínica particular na zona sul. Não pare para ninguém, nem para a polícia.

— Você perdeu muito sangue, Rafael — ela retrucou, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o volante. — Se eu não estancar isso, você não chega até lá.

— Apenas dirija — ele insistiu, os olhos cínicos, mesmo sob a máscara de dor. — Se nos pararem, sua identidade como a 'substituta' cai. Se Beatriz conseguir o que quer, você volta a ser nada. O contrato da nossa fusão não sobrevive a um escândalo policial nesta noite.

Helena sentiu o peso das palavras dele. Não era apenas sobre a sobrevivência física; era a preservação do tabuleiro. No banco traseiro, seu pai, ainda grogue pelos sedativos, respirava com dificuldade. Ela tinha a escritura, a prova definitiva de sua herança, mas a vida do homem que decidira ser seu escudo estava esvaindo-se diante de seus olhos.

Ao chegarem ao apartamento de emergência, um refúgio de vidro e metal escondido nas sombras de São Paulo, o silêncio era interrompido apenas pela respiração pesada de Rafael. Helena pressionava uma compressa estéril contra o ferimento, observando o sangue manchar a camisa social, agora descartada no chão como um estorvo.

— Pare de se mover — ordenou Helena, sua voz firme apesar do tremor em suas mãos. — Se você não estivesse tão ocupado tentando ser o mártir, não estaríamos aqui.

Rafael soltou um riso contido, que rapidamente se transformou em uma careta de dor. Seus olhos, habitualmente frios e calculistas, seguiam cada movimento dela com uma intensidade que a desarmava. Ele não era o magnata implacável que ditava fusões; ali, sob a luz indireta, ele era apenas um homem cujo corpo pagava o preço pela proteção dela.

— O custo do risco não importa, Helena — ele murmurou, a voz rouca. — O que importa é que Beatriz e Otávio agora sabem que você não é apenas uma peça no meu jogo. Você é o tabuleiro inteiro.

Helena sentiu um frio na espinha. Ela sabia que a proteção dele não era altruísmo puro; era um investimento em sua própria vingança. Mas, ao tocar a pele quente ao redor do ferimento, a barreira profissional que ela erguera com tanto cuidado começou a ruir. Ele arriscara a vida não por um contrato, mas por ela.

Horas depois, Rafael, já estabilizado, sentava-se na poltrona de couro. O torso nu envolto em bandagens improvisadas, o rosto pálido sob a luz bruxuleante de um abajur. Helena terminou de ajustar o curativo. O sangue dele manchava suas mãos, um lembrete visceral do débito impagável que acabara de contrair.

— Eles não vão parar — ele murmurou, com uma autoridade que a ferida não conseguia apagar. — O tiroteio na mansão foi um aviso. Beatriz sabe que a prova da herança está fora do alcance dela.

Helena sentou-se à sua frente, mantendo uma distância que parecia cada vez mais artificial.

— Eles podem tentar nos enterrar, Rafael, mas a escritura está comigo e meu pai está seguro. O conselho vai questionar onde você estava quando o caos estourou. Eles vão farejar o sangue.

— Deixe que farejem — Rafael respondeu, inclinando-se levemente para frente, ignorando a dor. — Se a imprensa descobrir o que aconteceu, a narrativa será controlada por nós. Você não é mais apenas uma substituta, Helena. A partir de hoje, você é a aliada que eles temem. E se alguém tocar em você, terá que enfrentar a minha fúria, mesmo que eu precise sangrar por isso.

Ele estendeu a mão, não para exigir, mas para selar. Quando os dedos de Helena tocaram os dele, a tensão entre eles não era mais apenas contratual; era uma promessa silenciosa de uma guerra que eles lutariam juntos. No entanto, o brilho de um flash de câmera vindo da rua, através da cortina entreaberta, revelou que o escândalo já começara a brotar. A imprensa estava lá fora, pronta para expor a noiva misteriosa e o magnata ferido ao mundo.

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