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Chapter 9: Negociação Sob Pressão

Elias é encurralado por Helena, que revela ter comprado suas dívidas, transformando-o em um ativo sob seu controle. Ele finge rendição para escapar do escritório, corre para o subsolo e tenta fazer o upload das provas, mas a conexão oscila enquanto a segurança se aproxima.

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Negociação Sob Pressão

A chuva de São Paulo não apenas caía; ela martelava o vidro do escritório da Dra. Helena Siqueira como uma contagem regressiva física. No canto da tela do monitor, o relógio do sistema marcava 10 horas e 20 minutos para a purga automática dos logs. Elias Viana sentia o Livro-Razão Negro, escondido sob a jaqueta, como um pedaço de gelo que queimava sua pele. A porta estava trancada eletronicamente. Ele era um rato em uma gaiola de mogno e vidro.

Helena caminhou até a mesa, a postura impecável, o rosto uma máscara de autoridade cirúrgica. Ela deslizou um tablet na direção dele. O brilho azulado da tela iluminou o desespero nos olhos de Elias.

— Você se acha um herói, Elias? — A voz dela era um sussurro clínico. — Olhe. A holding que gerencia este hospital comprou sua dívida no Banco Central ontem à noite. Você não é mais um auditor tentando salvar a própria pele. Você é um ativo. Se sair por aquela porta com esse livro, não é apenas o seu emprego que termina. É a sua liberdade. Eu sou a sua única credora agora.

Elias sentiu o estômago despencar. O documento digital era irrefutável: o peso da dívida que o sufocava há anos, o fantasma que ele tentava enterrar, agora tinha o nome de Helena Siqueira. Ela não apenas o controlava; ela era a dona do seu futuro. O cinismo que ele cultivara como armadura desmoronou, deixando apenas a crueza de sua humilhação.

— Pense rápido — ela sibilou, o perfume floral mascarando o cheiro de antisséptico que emanava de suas roupas. — Sua dívida desaparece. A diretoria é sua. Só preciso do livro.

Elias forçou um sorriso, as mãos erguidas em uma rendição que ele não sentia. — Você venceu, Helena. Está na minha maleta. — Ele abaixou a guarda, fingindo a derrota, enquanto seus olhos varriam a sala. Uma notificação brilhou no celular dela. Helena desviou o olhar por um milésimo de segundo. Foi o suficiente. A trava magnética da porta de emergência emitiu um clique metálico: o sistema de manutenção preventiva havia iniciado o ciclo de reinicialização.

Ele não esperou. Lançou-se contra a porta, ignorando o grito de fúria da diretora. O corredor era um labirinto de luzes fluorescentes e sombras. Ele foi visto por um segurança no terceiro andar, forçando-o a desviar para o subsolo técnico. O ar lá embaixo era espesso, saturado pelo cheiro de ozônio e umidade.

Elias conectou o cabo de rede ao terminal isolado, seus dedos trêmulos inserindo o drive com a cópia digital e o fragmento de vídeo do quarto 402. O sistema de segurança disparou um alerta silencioso. Cada segundo da barra de progresso parecia uma eternidade. Um trovão estremeceu a estrutura, as luzes oscilaram e a conexão caiu. O upload travou em 15%.

— Não agora — sibilou Elias, os nós dos dedos brancos. Ele reiniciou o protocolo, mas o som de botas táticas ecoou pelo corredor. A porta do subsolo começou a ser arrombada. Ele estava encurralado, com o destino da verdade preso a uma conexão oscilante e a segurança prestes a colidir com sua única chance de redenção.

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