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Chapter 6: O Livro-Razão Negro

Elias infiltra-se na diretoria do hospital, obtém acesso ao livro-razão que detalha pesquisas ilegais com pacientes pobres, e dispara o alarme de incêndio para escapar enquanto o hospital inicia uma purga física de evidências e pacientes.

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O Livro-Razão Negro

O ar nos dutos de ventilação do Hospital Santa Cecília era um composto viscoso de poeira e ozônio. Elias Viana arrastou-se sobre os cotovelos, cada movimento enviando espasmos de agonia a partir do corte profundo em sua costela. O sangue, quente e pegajoso, manchava sua camisa, mas ele não podia parar. O relógio digital em seu pulso marcava 23 horas e 58 minutos para a purga definitiva dos logs. O sistema não estava apenas deletando dados; estava apagando evidências de uma vida humana.

Ao alcançar a grade sobre a ala administrativa, ele forçou a trava com a chave que Beatriz lhe entregara. O clique metálico ecoou como um disparo no silêncio clínico do setor. Assim que a chave girou no nó local de rede, as câmeras de vigilância do corredor piscaram e morreram. O painel à sua frente brilhou em um âmbar ameaçador: Alerta de Intrusão Silencioso. A segurança já estava em movimento.

Elias saltou para o corredor. O impacto fez sua ferida arder, mas ele ignorou. Ao atingir o escritório de Otávio Mendes, encontrou um santuário de minimalismo clínico. No centro da mesa de vidro, um dispositivo de armazenamento criptografado — o livro-razão — pulsava com uma luz azul gélida. Era o batimento cardíaco artificial que guardava os segredos de um conselho de investidores sem rosto.

Ele conectou o terminal. A tela solicitou biometria. Elias usou a chave física de Beatriz para uma sobreposição de emergência. Enquanto a barra de progresso avançava, ele se escondeu atrás de um aparador de mogno ao ouvir passos pesados. Otávio entrou na sala, falando ao celular.

— O protocolo de limpeza deve ser antecipado — a voz de Otávio era um fio de navalha. — Elias Viana não é um auditor, é uma infecção. Se ele tocar nos arquivos do conselho, o hospital não terá como se justificar perante a ANS. O esvaziamento da ala leste começa agora. Não quero um único rastro de Heitor Mendes até o amanhecer.

Elias sentiu o estômago revirar. Não era uma evacuação; era uma purga física. Pacientes seriam transferidos, prontuários incinerados e qualquer prova da pesquisa ilegal seria dissolvida no caos da logística. Otávio deu as costas para o monitor, caminhando até a janela que dava para a chuva incessante de São Paulo. Era a oportunidade. Elias estendeu a mão, alcançando o terminal. A tela se abriu. Não era apenas um livro-razão; era uma lista de pacientes, muitos deles crianças, marcados como 'recursos expiráveis'. A verdade sobre o choque anafilático de Heitor Mendes estava ali, enterrada sob camadas de corrupção sistêmica.

Elias digitou o comando de cópia, mas o sistema travou. Ele precisava de mais tempo. Em um ato de desespero calculado, ele acionou o painel de incêndio atrás do aparador. O som ensurdecedor da sirene cortou o ar, transformando a rotina do hospital em um caos frenético. Otávio girou, o rosto contorcido em fúria, enquanto o sistema de segurança entrava em modo de evacuação total. As portas automáticas do escritório travaram, mas o alarme abriu as rotas de emergência. Elias correu para o corredor, o livro-razão em mãos, enquanto o hospital ao seu redor começava a sangrar pacientes e funcionários em pânico. Ele tinha a prova, mas a caçada estava apenas começando.

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