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Chapter 5: Traição sob a Chuva

Elias confronta Beatriz no estacionamento do hospital. Ela revela que está sendo coagida por Otávio Mendes, que mantém sua família como refém. Beatriz entrega uma chave de acesso ao servidor central, revelando que Otávio responde a um conselho superior. Elias escapa de mercenários após acionar o alarme de incêndio, mas descobre que a família de Beatriz está sob vigilância direta. O relógio marca 24 horas para a purga definitiva.

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Traição sob a Chuva

A chuva de São Paulo não lavava nada; apenas transformava a fuligem das avenidas em uma pasta oleosa que subia pelas calças de Elias, pesando como o chumbo de uma sentença. Ele estava encurralado no estacionamento subterrâneo do Hospital Santa Cecília, o ar carregado de monóxido de carbono e desespero. O dispositivo de rastreamento — um chip minúsculo colado à contracapa do prontuário de Heitor Mendes — emitia um brilho âmbar intermitente no escuro, um olho eletrônico que nunca piscava. Com um movimento seco, Elias arrancou o adesivo e o esmagou sob a bota. O som do plástico estalando contra o concreto foi o selo de sua nova realidade: ele estava cego, sem credenciais e oficialmente caçado.

O celular descartável vibrou. Uma mensagem de Beatriz: Eles têm o endereço da minha mãe. Não tenho escolha. Corra.

O relógio em seu pulso, um lembrete cruel de sua obsolescência, mudou os dígitos: 24:00:00. O prazo original de 48 horas era uma ilusão, uma cortina de fumaça que Otávio Mendes acabara de rasgar. Elias não podia mais apenas fugir; ele precisava resgatar a aliada para obter a prova final.

Ele encontrou Beatriz no nível -2, um labirinto de concreto e umidade. Ela tremia, o jaleco branco destoando da penumbra. Quando Elias a puxou para trás de uma coluna, ela soltou um arquejo, os olhos arregalados pela falta de sono.

— Você me seguiu — sussurrou ela, a voz quebrada. — Eles vão matar meu irmão, Elias. Você não entende o que Otávio é capaz de fazer.

— Eu sei o que ele faz. Eu vi o rastreador — Elias retrucou, cortante. — Mas o relógio mudou. Eles anteciparam a purga. Eles não querem apenas me apagar, querem apagar você também assim que não for mais útil.

Beatriz estacou. O medo em seus olhos transformou-se em uma clareza desesperada. Ela estendeu a mão, revelando uma chave física de acesso ao servidor central.

— Otávio não é o topo — ela confessou, a voz quase um sussurro. — Ele responde a um conselho de investidores. A purga não é um erro, é a limpeza de uma operação sistêmica. Se você quer a verdade, a chave está aqui. Mas eles estão vindo.

O som de passos pesados ecoou pelo subsolo. Mercenários, não seguranças. Elias forçou a chave para o bolso, sentindo o peso da responsabilidade. Ele arrastou Beatriz para a área de manutenção, chutando o painel principal. O alarme de incêndio disparou, o som ensurdecedor ecoando pelo concreto enquanto os sprinklers explodiam em névoa gelada. No caos, ele despistou os perseguidores, mas o custo foi alto: um corte profundo na costela, aberto durante a fuga pelas tubulações.

Elias emergiu na rua, encharcado e sangrando. De longe, observou o hospital imponente. O celular vibrou novamente. Uma foto da filha de Beatriz, entrando em um carro preto. A legenda dizia: O tempo é um luxo, Elias. O dela está acabando.

O relógio marcou 24 horas. Otávio Mendes sabia onde a família de Beatriz morava. O tempo não era mais apenas para Elias; era uma contagem regressiva para a aniquilação de tudo o que restava de sua humanidade. Ele olhou para a entrada principal, sabendo que a única forma de salvar aquela criança era invadir o escritório de Otávio antes que o servidor fosse limpo para sempre.

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