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Chapter 4: O Jogo de Espelhos

Rafael e Beatriz comparecem a um gala de alta sociedade para consolidar a imagem de noivado. Beatriz utiliza sua agência para proteger os interesses de Rafael contra um investidor rival, surpreendendo o herdeiro. No entanto, o rival Otávio Menezes confronta Beatriz com a fragilidade do contrato, revelando que ele conhece a existência de cláusulas ocultas que podem anular o acordo e destruir a posição de ambos.

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O Jogo de Espelhos

O silêncio na suíte de Rafael Viana era mais denso que o veludo das cortinas que isolavam a noite paulistana. Beatriz encarava o próprio reflexo, a pele pálida sob o peso de um colar de safiras que, mais do que uma joia, parecia uma coleira de prestígio. Atrás dela, Rafael ajustava os punhos da camisa com uma precisão cirúrgica, os olhos fixos na imagem dela pelo espelho.

— O colar não é um adorno, Beatriz — disse ele, a voz desprovida de calor. Ele se aproximou, o perfume amadeirado envolvendo-a como uma rede. — É um aviso para o conselho e para qualquer um que ainda duvide da nossa aliança. Não ouse retirá-lo antes de voltarmos.

Beatriz sentiu o toque frio dos dedos dele ao ajustar o fecho. A possessividade no gesto era cruel, mas ela não se encolheu. Em vez disso, encontrou o olhar dele no reflexo. — A aliança é mútua, Rafael. Sei exatamente o que esse colar representa. Talvez você devesse se perguntar se o conselho sabe o que realmente aconteceu com o dinheiro dos Alencar antes de ser absorvido pela sua holding.

Rafael congelou por um milissegundo, a máscara de frieza oscilando. Ele invadiu seu espaço pessoal, a tensão estalando entre eles. — Você brinca com fogo enquanto a sua mansão está sendo preparada para o leilão, Beatriz. Não force a sorte.

No salão do Hotel Unique, o ar condicionado parecia congelar a umidade de São Paulo, mas não era o frio que mantinha Beatriz alerta. Estavam no centro do baile, onde a elite circulava como tubarões. Rafael não a soltava; sua mão na base de suas costas era uma demarcação de território que o público interpretava como paixão, mas que ela sentia como um grilhão. Ele a observava com a precisão de quem contava cada segundo até a terça-feira, o prazo final para a ruína total de sua família.

— O senhor Viana parece muito protetor esta noite — comentou Eduardo Mendes, o investidor cujas mãos haviam sido fundamentais na derrocada da empresa de seu pai. Ele sorria, um gesto que não chegava aos olhos.

Rafael deu um passo à frente, pronto para silenciar o homem, mas Beatriz o interceptou. Sua agência era sua única moeda de troca.

— A proteção é o menor dos meus luxos, Eduardo — ela respondeu, a voz cortante. — E, se busca saber sobre a solidez dos meus interesses, sugiro que olhe para os balanços da Viana Holding que assinei esta manhã. O capital Alencar não está perdido; ele está sendo realocado. A mudança de estratégia foi uma decisão conjunta.

Rafael observou, surpreso, enquanto ela desarmava Mendes com uma elegância que ele não esperava. Ela não era apenas um peão; era uma estrategista que compreendia o tabuleiro. Ele a puxou para a pista de dança, o toque agora carregado de uma eletricidade diferente, mais perigosa.

— Você tem um talento perigoso para a mentira, Beatriz — ele sussurrou contra seu ouvido, o calor de sua respiração em contraste com a frieza do salão. — Quase acreditei que estávamos em sintonia.

— O contrato exige performance, Rafael. Eu apenas estou entregando o que você comprou.

Antes que ele respondesse, o fluxo da dança foi interrompido por Otávio Menezes. O rival de Rafael infiltrou-se entre eles, sorrindo com a mesma cortesia predatória de sempre.

— Viana. E a encantadora Beatriz. Que espetáculo de união — Menezes comentou, os olhos fixos na mão possessiva de Rafael. Ele se aproximou, sussurrando um pouco mais alto do que o necessário. — Mas me diga, Beatriz, você já leu as entrelinhas? Esse contrato é tão frágil quanto a reputação do seu pai. Uma cláusula, um documento esquecido, e toda essa proteção que o Rafael lhe vende desaparece. Você é uma noiva, ou apenas uma prisioneira esperando o próximo leilão?

O sorriso de Menezes era uma sentença. Rafael endureceu, mas Beatriz sentiu o peso do contrato em sua mente. O segredo que ela descobrira no escritório dele não era apenas sobre o pai dela; era uma arma que Menezes parecia disposto a disparar. O leilão da mansão era apenas o começo; a verdadeira ruína estava na validade daquele acordo que a mantinha viva.

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