Linhas de Fronteira
A cobertura estava silenciosa demais para as três e poucos da manhã. O cheiro de café frio se misturava ao odor metálico da adrenalina que ainda pairava entre eles. O envelope pardo, agora aberto, repousava no centro da mesa de ébano como prova de crime consumado. Beatriz mantinha as mãos cruzadas, unhas curtas, sem vestígio de vaidade recente. Rafael permanecia de pé, paletó jogado no encosto da cadeira, gravata frouxa, o colarinho aberto revelando a linha tensa do pescoço.
— Você invadiu o escritório do Eduardo. Sozinha. À noite.
A voz saiu controlada, mas os tendões saltavam sob a pele.
— Ele saiu. Eu esperei. Entrei.
Ela ergueu os olhos devagar, sem piscar.
— Não foi impulso. Foi cálculo.
Rafael deu um passo curto, parou. A luz do abajur cortava o rosto dele em planos duros.
— Cálculo. — Ele repetiu a palavra devagar, como se doesse. — E se tivesse dado errado?
— Teria dado errado para mim. — Beatriz inclinou a c
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