O Escândalo da Herança
A febre havia recuado, mas o corpo ainda carregava o peso de quem lutou contra o próprio calor. Beatriz acordou com a luz cinza de São Paulo invadindo as persianas entreabertas. O quarto de hóspedes cheirava a camomila velha e lençóis que alguém trocara no escuro. Rafael já não estava — a notificação da reunião extraordinária do conselho o arrancara antes do dia clarear.
Ela vestiu calça preta de alfaiataria e blusa de linho branco, roupas que não pediam permissão para ocupar espaço. O apartamento parecia grande demais sem o som dos passos dele. A porta do escritório privativo entreaberta era o único sinal de desleixo que Rafael jamais permitiria em si mesmo.
Sentou-se na cadeira de couro ainda morna. Digitou a senha que o vira digitar na penumbra da madrugada anterior, quando ele julgava que ela dormia febril: 15071992. A tela piscou. Beatriz foi direto aos extratos mais recentes da ho
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