Dívidas de Emoção
A febre chegou como um acerto de contas atrasado. Beatriz acordou no meio da madrugada com a garganta em chamas e o corpo pesado, como se alguém tivesse despejado cimento nas veias. O quarto de hóspedes — que ela ainda se recusava a chamar de “nosso” — estava escuro, exceto pela faixa cinza que vazava pelas persianas. Tentou se levantar para pegar água, mas o chão inclinou perigosamente. Caiu de volta nos travesseiros com um gemido que odiou por soar tão pequeno.
Passos firmes ecoaram no corredor antes que ela pudesse se recompor. Rafael apareceu na porta, ainda de camisa social, as mangas dobradas até os antebraços, o colarinho aberto como se tivesse sido arrancado de uma ligação importante. Não bateu. Apenas a observou.
— Você está péssima — disse ele, sem rodeios.
— Estou ótima — mentiu ela, a voz arranhada traindo-a.
Virou o rosto para o outro lado, odiando que ele a visse assim: sem maquiagem, sem postura, sem nada q
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