O Preço da Proteção
As luzes do jantar da Fundação Vasconcellos ainda queimavam nos olhos de Beatriz quando o Bentley deslizou pela avenida escura. O silêncio dentro do carro era mais denso que o perfume caro que pairava entre eles. Ela mantinha os dedos entrelaçados no colo, a aliança fria contra a pele, e tentava não olhar para Rafael. Ele olhava pela janela, o perfil imóvel, como se a cidade fosse apenas mais um relatório a analisar.
Beatriz quebrou o silêncio primeiro. — Você não precisava ter feito aquilo com a Clara. Ele não virou o rosto. — Precisava. — Revogar o convite na frente de duzentas pessoas não é defesa, Rafael. É humilhação pública. Execução. Finalmente ele a encarou. Os olhos escuros pareciam absorver a luz dos postes. — E o que você queria?
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