A Máscara de Vidro
O salão do Palácio dos Cedros cheirava a jasmim branco e a suor contido de quem fingia não estar calculando cada olhar. Rafael sentiu o braço de Beatriz enrijecer sob seus dedos no instante em que pisaram no mármore frio. O vestido azul-escuro que ele escolhera caía nela como uma lâmina de gelo: elegante, distante, perigoso.
— Sorria como se quisesse estar aqui — murmurou ele, quase sem mover os lábios.
Ela virou o rosto apenas o suficiente para que a luz dos lustres revelasse o brilho cortante em seus olhos.
— Eu estou sorrindo. Você é que me segura como se eu fosse fugir correndo.
Rafael afrouxou a pressão na curva da cintura dela, mas não retirou a mão. O toque era a cláusula visível: precisavam vender desejo para que o casamento relâmpago não virasse piada de corredor. Beatriz sustentava o queixo alto, o sorriso mínimo que as Albuquerque aprendiam jun
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