Cláusulas de Silêncio
Beatriz não bateu. Empurrou a porta de mogno com o ombro, o trinco batendo seco contra o batente. O escritório de Rafael cheirava a couro novo e a papel antigo; o uísque intocado brilhava âmbar no copo esquecido sobre a mesa. Ele estava de costas para a janela, falando baixo ao telefone. Desligou com um “antes do meio-dia” cortante e virou-se devagar. Não piscou.
— Você leu o anexo.
Não era pergunta.
Ela atravessou o tapete persa em três passos largos e jogou as páginas do contrato sobre a mesa de ébano. O impacto fez o copo tremer.
— Cláusula 8.4(b), parágrafo terceiro. — A voz saiu baixa, controlada, mas com uma borda afiada. — Não estava no rascunho que me entregaram no carro, entre o cartório e os repórteres. Proibir contato com qualquer nome do Anexo C não é confidencialidade. É isolamento total.
Rafael pegou o
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