O Peso do Sobrenome
O cartório ficava numa rua cinzenta do centro, onde o sol nunca chegava direito. Luz fluorescente batia no rosto de Rafael enquanto ele assinava com precisão cirúrgica, sem um tremor. Beatriz ficou parada do outro lado da mesa, olhando a caneta deslizar como se fosse uma lâmina cortando o último fio que a prendia a si mesma.
Ela assinou logo depois. O som seco da ponta no papel ecoou mais alto do que deveria. Doze meses. Um ano para salvar o nome da família e entregar o controle do próprio futuro a um homem que a via como peça de xadrez.
Quando saíram, o ar da escadaria estava gelado. Mal pisaram na calçada, o flash das câmeras os engoliu. A imp
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