O Leilão da Dignidade
O lustre de cristal do salão principal do Hotel Unique projetava uma luz fria e impiedosa sobre os ombros nus de Beatriz. Ela mantinha a postura impecável, o queixo erguido em um ângulo que desafiava a gravidade e o escrutínio, mas, por dentro, cada fibra de seu ser estava em alerta máximo. Em São Paulo, a alta sociedade não era apenas um grupo social; era um ecossistema de predadores onde a reputação era a única moeda de troca. E, naquela noite, o saldo de Beatriz estava zerado.
Ela viu o movimento antes de ouvir o som. Um grupo de empresários que, meses antes, frequentava sua casa para jantares de negócios, dispersou-se como um cardume ao avistá-la. O silêncio que a cercava era mais ruido
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