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Chapter 10: O Preço da Ascensão

Kaelen negocia sua permanência na academia perante o Conselho, trocando o segredo parcial de uma técnica proibida por um duelo final contra Dante. Após um confronto tenso com o rival, ele retorna ao seu esconderijo e observa o sistema de ranking recalibrar, revelando que o topo do setor atual é apenas o início de uma hierarquia muito mais vasta.

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O Preço da Ascensão

O ar na Câmara de Julgamento tinha o gosto metálico de ozônio e desdém. Kaelen sentia o Selo de Restrição Nível 3 como uma garra de ferro cravada em sua clavícula, drenando seu qi para alimentar as runas de contenção da academia. Cada respiração era um esforço consciente contra a asfixia. Diante dele, os sete membros do Conselho de Aethelgard formavam um semicírculo de sombras, com Mestra Valéria à direita, a postura rígida como uma lâmina desembainhada.

— O aluno Kaelen violou o Artigo 17 — a voz de Valéria cortou o silêncio, desprovida de hesitação. — Uso de técnica não registrada, agressão letal contra um discípulo de núcleo dourado e desestabilização deliberada do ranking. A recomendação é a expulsão imediata e o confisco de todos os ativos remanescentes para cobrir as taxas de reparação.

Kaelen não se curvou. O peso das correntes de energia negra em seus pulsos era um lembrete constante de sua posição, mas o eco dos gritos de apoio nos jardins, horas atrás, ainda vibrava em seus ossos. Ele não era mais o pária invisível.

— O Artigo 17 também garante o direito à autodefesa — Kaelen respondeu, a voz rouca, mas firme. — Dante Vellari iniciou o confronto. Se a academia preza pelo mérito, por que punir quem sobreviveu ao prodígio, em vez de punir o prodígio que falhou em matá-lo?

Um murmúrio percorreu o Conselho. Valéria deu um passo à frente, mas Kaelen ergueu a mão, revelando um fragmento de memória da técnica proibida. Ele não entregou o segredo; ofereceu apenas o vislumbre de uma eficiência de cultivo que faria qualquer um ali cobiçar o ganho. A ganância brilhou nos olhos do Presidente, superando a rigidez burocrática de Valéria.

— Aceitamos o trato — o Presidente decretou. — Você permanece, mas o teste final da temporada será um duelo direto contra Dante Vellari. Sem restrições de artefatos, sem margem para erros.

Ao sair da Torre, o corredor parecia mais longo. Dante surgiu das sombras, o rosto inchado por uma contusão arroxeada, o braço direito em uma tipoia. A arrogância ainda estava lá, mas o tremor fino em suas mãos denunciava o dano à sua aura de invencibilidade.

— Você acha que venceu? — Dante sibilou. — Eu te dou cinquenta cristais médios. Desista do duelo. Diga que foi um mal-entendido.

Kaelen parou. O selo pulsava, mas o capital social que ele conquistara nos jardins era uma armadura invisível. Ele olhou para Dante com a clareza de quem via um sistema em colapso.

— Você não está oferecendo suborno, Dante. Está oferecendo o preço da sua própria humilhação — Kaelen respondeu, passando por ele sem hesitar. — O duelo não é mais sobre o ranking. É sobre o fim da sua ilusão.

De volta ao seu esconderijo, Kaelen desabou no catre. O painel de ranking flutuava diante de seus olhos, azul e impiedoso: Posição 41º. Próximo teste: Duelo de Corte contra Dante Vellari (1º andar). Enquanto ele pressionava o núcleo de eco negro em seu peito, o sistema, forçado pela anomalia do seu crescimento, começou a recalibrar. O cronômetro do duelo zerou, e Kaelen ocupou o topo da escada daquele setor. Mas o painel não parou de subir. Os números continuaram girando, revelando que o 1º andar era apenas a base de uma escada muito maior, e a verdadeira subida estava apenas começando.

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