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Chapter 9: Duelo Fora da Lei

Kaelen sobrevive ao ataque de Dante nos jardins proibidos, transformando a tentativa de assassinato em uma demonstração pública de força que quebra a aura de invencibilidade do rival. Ele é preso pela guarda, mas ganha o apoio da multidão e descobre que o conselho antecipou seu confronto final para um duelo direto contra Dante.

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Duelo Fora da Lei

Kaelen emergiu do último túnel do Pavilhão de Elite com os pulmões em brasa e o frasco de sangue de dragão menor pressionado contra o peito. Setenta e uma horas. Esse era o tempo que restava até o duelo do quadragésimo andar. O selo de restrição nível 3, cravado por Mestra Valéria, pulsava no dantian como ferro em brasa, e a circulação de qi — estabilizada em 54% após a fusão forçada dos fragmentos de ressonância sombria — tremia sob o esforço da fuga. Cada passo na grama úmida dos jardins proibidos da Ala Noturna era um lembrete: o corpo estava no limite, as costelas latejavam com microfraturas e veias escuras subiam pelos antebraços como tinta derramada.

Três passos. O ar mudou.

Um estalo de qi rasgou a escuridão à direita. Kaelen jogou o corpo para o lado por puro instinto; a lâmina de vento negro passou onde sua cabeça estivera, arrancando lascas de pedra e deixando um sulco fumegante no solo.

— Você realmente achou que sairia daqui inteiro?

A voz de Dante veio baixa, carregada de um desprezo que não escondia mais o medo. O prodígio surgiu entre as colunas de hera, o manto aberto, o qi flamejante em camadas tão densas que distorcia o ambiente. No punho direito, uma corrente de relâmpago azul se contorcia, sibilando.

Kaelen não respondeu. Seus olhos varreram o perímetro: sem testemunhas imediatas. Ele precisava que aquilo fosse visto. Dante avançou sem formalidade, o punho descendo como um martelo. Kaelen desviou por um fio, sentiu o calor roçar sua pele e usou o impulso para girar. O núcleo de eco negro respondeu com um estalo frio no dantian — e ele liberou um pulso de ressonância sombria direto no antebraço estendido de Dante.

A pele do rival chiou. Dante recuou com um grunhido, o braço fumegando, veias negras subindo até o cotovelo.

— Seu verme… — Dante avançou novamente, as mãos envoltas em chamas rubras.

Kaelen rolou, deixou o ataque passar e cravou o calcanhar no joelho direito de Dante — exatamente sobre a velha lesão que ninguém ousava mencionar. O estalo foi seco. Dante cambaleou, o equilíbrio quebrado.

Lanternas começaram a se acender nas janelas da Ala Noturna. Sombras se moveram nas sacadas. Um grito ecoou:

— É o Kaelen!

Dante percebeu a audiência. Seus olhos se estreitaram.

— Eles estão assistindo — rosnou, cuspindo sangue. — E vão ver você se partir.

O próximo golpe veio em arco largo: uma lâmina de fogo que cortou três árvores antes de atingir Kaelen. Ele não bloqueou. Usou o calor para impulsionar o giro e contra-atacou com uma lâmina de sombra fina como navalha. A técnica proibida cortou o flanco de Dante — um talho limpo. O sangue escorreu entre os dedos do prodígio.

A multidão cresceu. Cinquenta, sessenta cabeças. Alunos da Ala Noturna, atraídos pelo estrondo. Rostos iluminados por lanternas flutuantes e pelo brilho residual da ressonância sombria.

— Ele feriu o Dante…

— O azarão…

Dante hesitou. Pela primeira vez, o prodígio vacilou diante da multidão. Kaelen avançou. O núcleo de eco negro girou mais rápido, ignorando o selo por um segundo de pura eficiência. 94,7% de conversão. Dante recuou, o rosto pálido.

Então vieram os guardas.

Botas pesadas na grama. Correntes de supressão de qi tilintando. Dois deles agarraram Kaelen pelos ombros e o forçaram de joelhos. O metal negro se fechou nos pulsos com um estalo frio. A circulação despencou para 18%. O selo nível 3 respondeu com uma queimação insuportável.

— Ele me atacou primeiro! — rosnou Dante, pressionando o flanco.

— Com intenção letal fora da zona autorizada — cortou o capitão da guarda. — Testemunhas confirmam.

Valéria atravessou o anel de alunos. Manto cinza, runas de contenção pulsando nos punhos. Silêncio caiu como uma lâmina.

— Prendam os dois — ordenou ela, voz calma e cortante. — Kaelen por uso de técnica proibida. Dante por agressão ilegal.

Um rugido subiu da multidão.

— Não!

— Foi defesa!

— Kaelen! Kaelen!

O nome ecoou, primeiro tímido, depois firme. Pela primeira vez não era deboche. Era apoio público. Valéria ergueu a mão, silenciando o pátio.

— Levem-no — disse ela, olhando diretamente para Kaelen. — Torre da Ordem. A audiência será antecipada.

Kaelen não resistiu. Cada passo doía, mas ele ouvia. O nome, o apoio, a mudança na percepção social. Dante o encarava com ódio impotente enquanto o curandeiro terminava de fechar o corte.

No corredor de pedra negra da Torre da Ordem, os guardas o empurravam. Um deles murmurou:

— Nunca vi um azarão virar o jogo assim. Dante recuou mesmo.

Chegaram à cela. A porta fechou com um estalo definitivo. Kaelen deslizou até a parede e sentou devagar. Dor nas costelas, veias escuras latejando, circulação sufocada. Setenta e uma horas até o quadragésimo andar. Agora com algemas e audiência antecipada.

Ele fechou os olhos. Vozes abafadas no corredor.

— …viram a cara do Dante? O conselho já está falando. Dizem que o trato foi aceito… mas o teste final não vai ser contra qualquer um do quadragésimo andar.

— Contra quem, então?

— Contra o próprio Dante.

Kaelen abriu os olhos. Preso, algemado, corpo no limite, ele ouviu os aplausos da multidão que, pela primeira vez, gritava seu nome. O próximo degrau da escada acabara de ficar muito mais alto.

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