Chapter 7
O Centro de Triagem da Zona Norte não cheirava a hospital; cheirava a ozônio, desinfetante industrial e à estagnação de vidas descartadas. O silêncio nos corredores não era paz, era uma armadilha. Lucas movia-se pelas sombras com a precisão de um predador que conhece a própria presa. Ele alcançou o setor de isolamento e, através do visor reforçado, viu Maria: sentada em uma cadeira de metal, mãos atadas, o olhar vazio de quem já tinha aceitado o fim. Atrás dela, dois homens em trajes táticos sem insígnias — o braço sujo da prefeitura — montavam guarda com a arrogância de quem detinha a autoridade absoluta.
Lucas sentiu o peso do livro-razão contra o peito. Não era apenas papel; era o selo de cera original, a prova incontestável de que o Secretário de Obras não apenas gerenciava a cidade, ele a saqueava. Ele desativou a câmera do corredor com um movimento seco. O Secretário queria uma isca? Lucas daria a ele o predador.
Segundos depois, o Secretário de Obras emergiu do monitoramento. Ele caminhava com a confiança de quem já tinha enterrado a verdade centenas de vezes, flanqueado por sua escolta de elite.
— Você é persistente, Luca
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