The First Lever
O corredor do Hospital Santa Helena cheirava a desinfetante barato e ao suor frio de quem não tem mais para onde ir. Lucas caminhava com a cadência de quem conhece cada centímetro daquele piso, ignorando os olhares de soslaio dos enfermeiros. À sua frente, o Dr. Arnaldo, administrador da unidade, tentava bloquear o acesso à ala administrativa com uma postura que oscilava entre a arrogância corporativa e o medo visceral.
— O senhor não tem autorização para estar aqui, Lucas — disse Arnaldo, a voz trêmula, mas tentando manter o tom de autoridade. — O despejo de Maria é um processo administrativo encerrado. O consórcio de Valdir já tomou posse do inventário. O leilão da ala de cuidados paliativos acontece em duas horas. Nada vai mudar isso.
Lucas parou. Ele não gritou. Não houve ameaças vazias. Ele apenas retirou um envelope pardo do bolso interno do paletó — um documento que ele extraíra de um arquivo esquecido na noite anterior. Com um movimento preciso, ele deslizou uma cópia do selo de cera da licitação sob o nariz de Arnaldo.
— Administrativo? — Lucas inclinou a cabeça, a voz baixa, cortante. — O selo oficial foi aplicado sobre uma assinatura datada de ontem. A
Preview ends here. Subscribe to continue.