Chapter 12
O ar na sala de reuniões anexa ao salão de baile era denso, saturado pelo cheiro de café frio e pela eletricidade estática de uma guerra civil iminente. Helena mantinha as costas retas, a dignidade sendo sua única armadura contra o tremor que subia por seus dedos. À sua frente, Ricardo não era o noivo ensaiado para as câmeras; era um homem em frangalhos, a gravata frouxa e os olhos fixos em um tablet que exibia, em tempo real, a imagem de Arthur sendo vigiado por um desconhecido.
— O Enforcer não quer apenas o controle da empresa, Helena — a voz de Ricardo era um corte seco, desprovida de qualquer polidez. — Ele quer a sua destruição. E ele sabe que o elo que você esconde é o que torna tudo possível.
Helena sentiu o estômago revirar. A ameaça não era mais um blefe; era uma arma apontada para a única coisa real que ela construíra em silêncio durante anos. Ela entregou o dispositivo de armazenamento que guardava a última cópia do livro-razão. — Se isso é o que ele quer, leve. Mas se você tocar em um fio de cabelo do meu filho, eu mesma destruirei o que resta da sua reputação.
Ricardo aceitou o drive com uma reverência sombria. — O preço da proteção, Helena, é que você pare de lutar sozinha.
Eles se moveram como sombras pelo hotel até o escritório de comando improvisado. O cronômetro na tela marcava menos de quatro horas para o prazo de segunda-feira. O telefone sobre a mesa vibrou, um som que ecoou como um disparo no silêncio. Ricardo ativou o viva-voz, a voz do Enforcer preenchendo a sala: polida, fria e aterrorizantemente familiar. Era a voz de alguém que conhecia os corredores da casa de Helena tão bem quanto a palma da própria mão.
— Entreguem o original, ou a criança paga
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