The First Test
O placar holográfico acima do pátio da Academia Central não mentia: 4.872º lugar. Lucas encarou a cifra em tom de sangue e ouro, sentindo o peso do olhar dos outros alunos como uma pressão física contra suas costas. Entre os cinco mil inscritos, aquela posição não era apenas um número; era um aviso de despejo. Se não subisse cinquenta posições até o final do mês, ele e Ana seriam expulsos do dormitório subsidiado. Para a elite, era um detalhe administrativo. Para Lucas, era a sentença de morte social.
— Você vai conseguir, não vai? — A voz de Ana era um fio tênue, quase inaudível sob o barulho da multidão. Ela segurava a manga da jaqueta de Lucas com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. — A mamãe disse que, se você não passar no teste de acesso hoje, a bolsa dela também será cortada.
Lucas não respondeu. A mãe trabalhava nas barreiras externas, um setor onde a radiação da Torre corroía a saúde em troca de créditos que mal pagavam o aluguel. Se ele falhasse, a família inteira seria jogada na periferia, onde a proteção da Academia não chegava. Ele precisava de um ganho, e precisava agora.
O sino da Torre ecoou, um som grave que fez o chão vibrar. O portão principal, geralmente uma entrada de rotina, soltou um ronco metálico. Letras carmesim surgiram no ar, projetadas pela interface da própria estrutura:
[ALERTA: ANDAR 3 BLOQUEADO POR 72 HORAS. ACESSO RESTRITO AO ANDAR 4 ABERTO POR 4 HORAS E 12 MINUTOS.]
O cronômetro no topo da visão periférica de Lucas começou a contagem regressiva: 00:14:59. Quatorze minutos para a rota do Andar 3 ser selada. Sem aquele acesso, ele perderia a chance de subir no ranking hoje. Era o tudo ou nada.
— Saia da frente,
Preview ends here. Subscribe to continue.