Novel

Chapter 12: Chapter 12

Kael confronta Sora e a Academia na arena, utilizando a assinatura de energia do Ferrugem como chave para expor os logs de triagem militar em rede pública. O capítulo encerra com a revelação da conspiração, deixando Kael em uma posição de vulnerabilidade extrema, mas com o status de um símbolo público de resistência.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Chapter 12

O cronômetro no visor do Ferrugem pulsava em um vermelho doentio: 09:42:15. A dívida não era apenas um número; era um predador faminto que devorava cada segundo da existência de Kael. Na oficina de Mestre Vane, o ar estava saturado com o cheiro acre de ozônio e metal queimado. O braço esquerdo do Ferrugem jazia sobre a bancada como o cadáver de uma criatura mecânica, seus atuadores expostos revelando o emaranhado de cabos que Vane tentava suturar com componentes de sucata de baixa qualidade.

— A Academia não quer apenas o seu frame, Kael — Vane murmurou, sem desviar os olhos das micro-soldas. Sua voz carregava um peso novo. — Eles querem apagar a assinatura de energia que esse motor emite. Não é uma falha de design. É uma chave de acesso. Uma prova de que a tecnologia que eles reivindicam como 'inovação' é, na verdade, um legado roubado de uma era que eles tentaram apagar dos manuais. Se você vencer na arena, a chave se torna pública. Se perder, você se torna apenas um arquivo deletado.

Kael sentiu o impacto daquelas palavras reverberar mais forte que o zumbido das ferramentas. O Ferrugem não era apenas um pedaço de ferro-velho; era uma prova viva de um crime institucional. Ele apertou os punhos, sentindo a vibração do metal contra sua pele. A vitória na arena era a única forma de tornar sua sobrevivência pública e protegida.

Ao caminhar pelos corredores de acesso à arena, o zumbido das turbinas de refrigeração parecia o rosnado de uma besta. Faltavam poucas horas para o confisco total. A carcaça remendada do Ferrugem rangia, uma estrutura que mal escondia a instabilidade do frame após as modificações de Vane. Uma silhueta surgiu na penumbra, bloqueando o caminho: Sora.

Ela não vestia o traje de gala habitual dos pilotos de elite; seu uniforme estava sujo de graxa, e seus olhos, antes frios, carregavam uma ansiedade febril. Ela não o encarou com desdém, mas com uma urgência quase desesperada.

— Você não tem ideia do que está carregando, Kael — disse ela, a voz ecoando nas paredes metálicas. — A Academia recebeu ordens diretas para apagar a assinatura do seu frame. Isso inclui o piloto. Eles modificaram a arena para garantir que o seu sistema entre em colapso estrutural no primeiro impacto. Não é um duelo. É uma execução.

Kael olhou para o braço reforçado com peças que custaram seus últimos créditos. — Por que me contar isso agora, Sora? Você sempre foi a face da perfeição acadêmica.

— Porque a perfeição é uma mentira que eu cansei de sustentar — ela respondeu, desviando o olhar. — Se você vai cair, que caia expondo a fraude que nos mantém no topo.

O sinal de partida soou, um estrondo que fez as arquibancadas tremerem. No centro da arena, o mech de Sora, uma obra de engenharia de elite com blindagem reflexiva, avançou como um predador. Kael não recuou. Seus dedos voavam pelo console, ignorando os avisos de falha estrutural. Ele não precisava de força bruta; precisava de exposição.

Com um movimento brusco, ele hackeou o uplink da arena, forçando a transmissão de todos os registros financeiros e logs de triagem militar de Vane diretamente para os holovisores da multidão. O sistema de segurança rugiu, tentando derrubar o sinal, mas Kael manteve o link aberto à força. O código cascateava em vermelho na tela. O público, antes silencioso, explodiu em um murmúrio voraz ao ver a prova da sabotagem institucional.

Sora avançou, seu mech ignorando o caos, mas Kael redirecionou a energia dos estabilizadores para o uplink. Com um estalo metálico, o braço esquerdo do Ferrugem cedeu, faíscas banhando a cabine.

— Você não pode silenciar a verdade! — Kael gritou, sua voz distorcida pelos alto-falantes da arena. A multidão rugiu, uma maré de ódio voltada para o camarote de Vane.

O sistema de defesa da arena começou a colapsar sob a carga dos dados expostos. Kael, com o Ferrugem em ruínas, preparou-se para o impacto final. Ele sabia que, vença ou perca, sua vida nunca mais seria a mesma. O confronto final estava apenas começando, e a Metrópole Orbital assistia, em choque, à ascensão do sucateiro que se recusou a ficar baixo.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced