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Chapter 1: The First Test

Kael enfrenta a pressão da Academia em um mercado que pune a fraqueza. Ele utiliza uma técnica proibida para vencer sua primeira luta na Escada de Provas, mas o custo da vitória deixa seu mech, o 'Ferrugem', gravemente danificado. O capítulo termina com a dívida ainda pendente e a necessidade urgente de peças que ele não pode pagar.

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The First Test

O metal do Ferrugem gemeu, um som de agonia mecânica que Kael sentia nos próprios dentes. Ele estava sob o chassi, com as mãos calejadas pela graxa e o suor escorrendo pelos olhos, tentando forçar o atuador hidráulico de volta ao lugar. O braço esquerdo do mech, uma carcaça remendada de um modelo de carga da era pré-orbital, pendia por um único cabo de fibra óptica.

— Isso é lixo, Kael. Nem para peças de reposição serve — a voz de Vane, o cobrador da Academia, cortou o ar viciado do hangar. Ele chutou a perna do mech, fazendo a estrutura inteira oscilar. — A cota de manutenção subiu. A diretoria quer resultados, não sucata ambulante.

Kael deslizou para fora debaixo da máquina, limpando o rosto com um trapo imundo. O visor do seu cockpit, visível através da escotilha aberta, brilhava com um vermelho agressivo: 24:00:00. A contagem regressiva para o confisco do seu frame não era apenas um número; era o fim da sua única via de ascensão social.

— Eu preciso de mais doze horas, Vane — Kael disse, a voz rouca, mas firme. — O circuito aberto de hoje vai me dar os créditos necessários.

— Você não tem doze horas. Tem vinte e quatro, e a cota de vitórias para manter a licença de operação foi triplicada. Se não vencer três partidas hoje, o Ferrugem vai para a prensa de reciclagem. E você, para a vala comum dos sem-teto.

Kael sentiu o estômago revirar. Três vitórias. Com aquele chassi, era uma sentença de morte. Ele subiu na cabine, o cheiro de ozônio e desespero impregnando o ar. Ele não tinha escolha. Ele ativou o sistema, ignorando o aviso de falha estrutural iminente. Se o sistema queria um espetáculo de demolição, ele daria um.

*

Na Arena da Escada de Provas, o ar era denso, carregado com a eletricidade estática dos escudos de energia. Kael sentia a vibração do Ferrugem sob seus pés, um tremor irregular que subia por sua espinha. Nas arquibancadas, a elite da Academia observava com o desdém frio de quem nunca precisou contar créditos para consertar um pistão.

Sora, a favorita, estava lá. Ela observava Kael com uma curiosidade predatória, como se ele fosse apenas uma anomalia estatística prestes a ser corrigida.

O oponente de Kael era um modelo acadêmico padrão, um autômato de combate com blindagem reativa e sensores de mira assistida. Enquanto o oponente deslizava pelo piso sintético com a elegância de um predador, o Ferrugem parecia um animal ferido.

— Piloto de sucata, o tempo de vocês acabou — a voz do oponente ecoou pelo sistema de som da arena. — Desista agora e economize o custo do reparo.

Kael não respondeu. Ele acionou o Injetor de Assinatura Invertida que Vane instalara secretamente. O Ferrugem soltou um ganido metálico, uma dor aguda que Kael sentiu como se fosse sua própria carne rasgando. O mech desapareceu dos sensores do oponente por um milissegundo — o tempo exato para um movimento proibido.

Kael mergulhou por baixo da guarda do adversário, girando o pulso hidráulico do braço direito. O impacto foi seco, brutal. Ele atingiu o ponto de fadiga do mech da Academia com precisão cirúrgica. O oponente cambaleou, o sistema de equilíbrio colapsando enquanto o Ferrugem o empurrava para fora da zona de segurança.

A multidão silenciou. Kael tentou recuar, mas o braço hidráulico que desferira o golpe cedeu com um estalo ensurdecedor. O fluido refrigerante vazou, sibilando contra o metal quente. O Ferrugem pendeu para o lado, inútil, mas ainda de pé. Ele venceu. A luz do ranking mudou, subindo um degrau insignificante.

Kael olhou para o braço inerte de sua máquina. Ele tinha garantido sua posição por hoje, mas o abismo da dívida estava mais perto do que nunca. O sistema de cobrança disparou um alerta vermelho no painel: 23:59:59. Ele tinha vencido a primeira, mas o custo da vitória fora o próprio braço do mech. Sem peças, sem créditos e com uma máquina desmembrada, a Escada de Provas revelou seu verdadeiro rosto: um mecanismo que exigia sacrifícios cada vez maiores para cada degrau conquistado.

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