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Chapter 9: Novas Regras, Novos Jogadores

Arthur consolida a queda de Gusmão, assume o controle das dívidas da Casa Lemos e impõe novas regras aos investidores locais. Contudo, a descoberta de um cartão da 'Sombra' e um atentado frustrado revelam que Gusmão era apenas um peão de uma hierarquia muito mais perigosa.

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Novas Regras, Novos Jogadores

O martelo de mogno atingiu a base de veludo com um estalo seco, não apenas encerrando o leilão, mas selando o destino de Ricardo Gusmão. O silêncio que se seguiu no salão era denso, uma suspensão de descrença que durou apenas um batimento cardíaco antes de se transformar em um burburinho frenético. Beatriz Lemos, com as mãos firmes sobre o dossiê, não precisou gritar. Sua postura, antes curvada pelo peso das dívidas, agora era a de quem detinha a verdade.

— O Dragão de Jade Imperial é uma falsificação industrial — anunciou ela. A voz, desprovida de qualquer tremor, cortou o ar como um bisturi. — As provas da manipulação das licitações públicas que financiaram essa fraude estão detalhadas nestes documentos. A Casa Lemos não está mais à venda.

O caos foi imediato. Investidores que, minutos antes, bajulavam Gusmão, recuaram como se ele estivesse em chamas. Ricardo, com o rosto desprovido de cor, tentou avançar, mas seus seguranças foram neutralizados antes mesmo de alcançarem o púlpito. Arthur Valente, posicionado como uma sombra vigilante, interceptou o primeiro homem com uma precisão que não admitia contestação. Um golpe seco no plexo solar, uma torção de pulso, e o segurança desabou. O segundo foi contido por uma rasteira cirúrgica. A polícia, alertada pelo dossiê, entrou no salão. O som das algemas metálicas fechando-se nos pulsos de Gusmão foi o carimbo definitivo: o Tubarão estava fora do jogo.

Nos bastidores, o ar era denso, carregado pela eletricidade de quem fareja sangue. Quatro investidores, representantes de grupos rivais, cercaram Beatriz. Eles não viam uma restauradora de legado; viam um vácuo de poder.

— Beatriz, minha cara — disse o representante da Construtora Rocha, ignorando Arthur. — Gusmão era um bruto, mas mantinha o mercado aquecido. Sem ele, a Casa Lemos não tem fôlego para as licitações da próxima semana. Assine este termo de parceria exclusiva. Nós absorvemos sua dívida.

Arthur deu um passo à frente. O som de seus sapatos no mármore foi o único aviso.

— A dívida de vocês — Arthur começou, a voz baixa e cortante — já foi comprada. Cada contrato, cada promissória que usaram para sufocar a Lemos, agora está em minha posse. Se quiserem continuar operando, as novas regras serão ditadas por ela.

Os homens empalideceram. A autoridade de Arthur não era uma ameaça vazia; era uma sentença de falência imediata. Um a um, eles se curvaram, reconhecendo a nova ordem. Beatriz sorriu, um sorriso de quem finalmente assumira o controle.

Mais tarde, no escritório, a vitória revelou seu custo. Arthur jogou uma pasta sobre a mesa.

— Gusmão era apenas um peão, Beatriz. Uma fachada.

Ele arrancou um microdispositivo de escuta da moldura de um quadro, esmagando-o sob a bota. Ao virar a moldura, encontrou um cartão negro com o selo da "Sombra". A mensagem era clara: O tabuleiro mudou. Você não é o jogador, é a peça sacrificável.

Arthur saiu para a noite, o ar metálico e pesado. Ele parou bruscamente na Rua das Acácias. O silêncio era antinatural. Dois vultos emergiram da penumbra, não capangas, mas profissionais de elite. O primeiro atacou com uma lâmina curta. Arthur capturou o pulso do homem, torcendo-o com a força exata para desarmá-lo, apenas para ver no colarinho do atacante a insígnia que reconheceu do seu passado nas sombras. O mentor estava mais perto do que ele imaginava. A guerra, agora, era pessoal.

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