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Chapter 4: O Preço da Vitória

Beatriz valida a denúncia contra Gusmão, destruindo sua reputação no leilão. Arthur, agora no radar da 'Sombra', recebe uma convocação misteriosa e decide confrontar a hierarquia superior, preparando-se para buscar o dossiê que contém a assinatura do político que o traiu no passado.

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O Preço da Vitória

O martelo de mogno, símbolo da autoridade de Ricardo Gusmão, permaneceu suspenso sobre a base de veludo. O salão da Casa Lemos, antes um caldeirão de sussurros, mergulhou em um silêncio absoluto. Beatriz Lemos, com as mãos firmes sobre o dossiê que revelava a podridão do império de jade, encarava a plateia.

— O Dragão Imperial não é uma peça de coleção — a voz de Beatriz cortou o ar, desprovida de hesitação. — É o marco zero de um esquema de lavagem de dinheiro que usa licitações públicas para saquear o patrimônio desta cidade. Este documento detalha cada conta, cada laranja e cada assinatura fraudulenta de Gusmão.

Gusmão, antes a personificação da arrogância, ostentava agora uma máscara de desespero contido. Seus seguranças, homens brutos acostumados a resolver disputas com força bruta, hesitaram ao ver Arthur Valente parado entre eles e o púlpito. Arthur não precisava de gritos; sua presença, imperturbável e letal, era o aviso final. O status de Gusmão, outrora inquestionável, desmoronava enquanto os investidores, sentindo o cheiro de sangue, recuavam para a periferia do salão.

Minutos depois, no escritório privativo, o silêncio era pesado. Beatriz tremia, não de medo, mas de uma adrenalina corrosiva.

— Os investidores estão em pânico — disse ela. — Gusmão está tentando comprar o silêncio dos leiloeiros, mas a fraude é irrefutável. Se eu validar a denúncia agora, a Casa Lemos sobrevive. Se hesitar, seremos varridas do mercado amanhã.

Arthur, encostado na porta, observava o reflexo da cidade noturna.

— O jogo mudou, Beatriz. Gusmão não é o topo da cadeia. Ele é apenas o braço financeiro de um cartel que opera muito acima da nossa escala. Se você expuser o dossiê, a Casa Lemos se torna o novo alvo. Você está pronta para governar as ruínas que virão?

Beatriz caminhou até a mesa e assinou o documento de validação, selando o destino de Gusmão e colocando uma mira em suas próprias costas.

Horas mais tarde, sob a chuva fina de São Paulo, Arthur estava no banco de trás de um sedan blindado. Sobre o console, um envelope de papel vergê, selado com uma cera negra que exibia o emblema de um corvo estilizado, parecia pulsar. Era uma intimação de quem observava o tabuleiro de cima.

— Você não deveria ir — disse Beatriz, os dedos apertando o volante. — Se isso for uma armadilha, não haverá um dossiê para nos salvar.

Arthur não respondeu. Ele sabia que, ao expor a fraude, ele havia destruído a credibilidade de Gusmão, mas isso era apenas o primeiro degrau. A 'Sombra' não agia por justiça; agia por controle. O fato de terem enviado o convite logo após a queda do Tubarão significava que ele havia se tornado um ativo ou um obstáculo. Ele pegou o envelope, ciente de que a armadilha estava armada, mas determinado a usar a própria Sombra para destruir o político que o traiu anos atrás. O carro parou diante de um prédio sem identificação no coração financeiro da cidade. Arthur desceu, pronto para o próximo nível do jogo.

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