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Chapter 3: A Primeira Cartada

Arthur invade o leilão, neutraliza a segurança através de conhecimento técnico e expõe a fraude médica de Viana perante a elite, forçando a interrupção do leilão e revelando uma traição familiar profunda.

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A Primeira Cartada

O Salão de Leilões do Hotel Imperial cheirava a mogno polido e desespero contido. Para a elite paulistana ali reunida, o leilão dos ativos da família de Arthur não era um evento de negócios; era um espetáculo de carniça. Arthur atravessou o saguão, seus passos ecoando com uma cadência militar que destoava da afetação dos convidados. Ele não vestia o uniforme da derrota que esperavam dele.

Dois seguranças, com a postura rígida de quem servia a Viana, bloquearam o acesso ao corredor central. O chefe da equipe, um homem de cicatriz profunda no supercílio, reconheceu o rosto de Arthur — um rosto que a cidade tentou apagar após o exílio.

— A lista é restrita, senhor. O senhor não consta aqui — disse o segurança, bloqueando o caminho. — Retire-se antes que a gerência seja notificada.

Arthur não parou. Ele invadiu o espaço pessoal do homem, forçando-o a recuar. Sua voz, baixa e desprovida de qualquer ameaça emocional, cortou o ruído do saguão.

— O sistema de segurança deste hotel foi terceirizado pela Viana Holding. O protocolo de incêndio exige saídas desobstruídas, mas o seu chefe de logística instalou travas magnéticas ilegais para evitar furtos. Se um alarme soar, o pânico vai soterrar metade da sua equipe sob a responsabilidade de uma falha de segurança primária. Você quer ser o bode expiatório quando o conselho descobrir que a saída de emergência está selada?

O segurança hesitou. O medo de uma responsabilidade criminal superou a lealdade a Viana. Ele baixou o braço, frustrado, enquanto Arthur passava por ele.

Dentro do salão, Ricardo Viana ocupava o centro do palco. Quando seus olhos encontraram os de Arthur, um sorriso predatório surgiu em seu rosto.

— Vejam só — anunciou Viana, projetando a voz. — O herdeiro da casa falida veio ver o enterro de seu próprio legado. Arthur, você deveria estar em casa, chorando sobre as dívidas que não pode pagar, não atrapalhando negócios de adultos.

Risos contidos ecoaram. Beatriz, ao lado de Arthur, apertou a bolsa com força, os nós dos dedos brancos. Arthur não respondeu com raiva. Ele subiu os degraus do palco, ignorando os seguranças que hesitaram ao ver a autoridade em sua postura.

— O leilão é baseado em uma liquidação por insolvência, Ricardo. Mas a insolvência foi fabricada. E o martelo que você segura agora não vai selar um negócio, mas uma confissão.

O leiloeiro, ignorando o burburinho, apressou o processo.

— Cinquenta e cinco milhões — ecoou Viana, carregado de escárnio. — Algum outro interessado em salvar o que resta da falência dos outros?

O riso da plateia foi o gatilho. Arthur parou diante de Viana e estendeu o tablet. O documento original do prontuário de Mariana brilhava na tela. Era a evidência da falsificação, o erro crasso que Viana cometera em sua pressa gananciosa.

— O conselho não sancionou isso, Ricardo. Eles foram enganados. E se o martelo cair hoje, a responsabilidade legal pela fraude médica não será apenas do hospital, mas sua. Pessoalmente.

O martelo parou no ar. O silêncio no salão tornou-se absoluto, pesado como chumbo. Arthur observou o rosto de Viana perder a cor, a arrogância de classe sendo substituída pelo pânico puro. No registro de acessos que Arthur visualizava no canto da tela, um nome familiar brilhou entre os logs de alteração do prontuário. O traidor não era um estranho; era alguém que Arthur jurara proteger.

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