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Chapter 8: Traição Revelada

Arthur escapa da sede da Corporação Superior com a prova da fraude orquestrada pelo Arquiteto. Ele entrega o pen-drive a Beatriz, consolidando a estratégia para o Comitê de Arbitragem em 48 horas. Perseguido pela segurança corporativa, Arthur é encurralado no porto, onde utiliza a ameaça de exposição pública para manter seus inimigos em xeque, ganhando tempo para a próxima fase da guerra.

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Traição Revelada

O bipe do sensor de segurança no subsolo da Corporação Superior não foi um aviso; foi uma sentença. Arthur sentiu o peso do pen-drive no bolso interno do paletó — um pedaço de metal de poucos gramas que continha a ruína de um império. O alerta vermelho pulsava nas paredes de concreto, transformando o corredor em um labirinto de sombras e clarões estroboscópicos. O Arquiteto havia desenhado aquele sistema com a mesma precisão cirúrgica que, anos atrás, Arthur aprendera a admirar. Agora, aquela perfeição era a sua própria armadilha.

— Intruso no setor 4. Bloqueiem as saídas — a voz metálica do interfone ecoou, fria e desprovida de humanidade.

Arthur não correu. Correr era o sinal de uma presa. Ele parou diante de um terminal secundário, os dedos movendo-se com a cadência de quem toca um instrumento. Com o dispositivo de clonagem biométrica, ele injetou um código de sobreposição na rede. Um fantasma digital surgiu no sistema, sinalizando uma falha crítica no bloco oposto ao estacionamento. Segundos depois, o som de botas táticas ressoou no corredor principal, afastando-se de sua rota. Ele alcançou o estacionamento, a verdade agora sob seu controle absoluto.

A chuva de São Paulo fustigava as janelas do escritório de Beatriz. Quando Arthur jogou o pen-drive sobre a mesa de mogno, o som do metal contra a madeira soou como um martelo de leilão. Beatriz não o tocou; seus olhos, faiscantes de uma tensão contida, alternavam entre o dispositivo e o rosto impassível de Arthur.

— Isso não é apenas a fraude do Ricardo — Arthur disse, a voz cortante como vidro. — É o rastro do Arquiteto. A engenharia financeira, a camuflagem de ativos... tudo leva ao meu antigo mentor. Ele não apenas me exilou; ele construiu a estrutura que agora drena a cidade.

Beatriz palideceu. Ela sabia que o Arquiteto não era apenas um nome; era o pilar invisível da elite paulistana. Desafiá-lo era assinar uma sentença de morte social.

— Se levarmos isso ao Comitê de Arbitragem, não estamos apenas destruindo o Ricardo — ela sussurrou, a voz carregada de hesitação. — Estamos declarando guerra contra a própria fundação do mercado. Ele vai nos apagar antes do amanhecer.

— Ele já tentou — Arthur respondeu, o olhar fixo na tempestade lá fora. — Agora, a vez é nossa. Protocolar a denúncia é o único caminho. Temos 48 horas até a audiência. Se não atacarmos primeiro, seremos apenas mais um registro de falência.

Beatriz respirou fundo, o medo dando lugar a uma determinação fria. Ela aceitou o risco, mas o cerco já se fechava. Ricardo, desesperado pela pressão das dívidas e pela iminente exposição, recebera ordens diretas para eliminar o 'problema'. Enquanto Arthur dirigia pelas ruas molhadas, o rádio do carro chiou: a segurança privada da corporação o localizara. Ele girou o volante, entrando em um beco estreito que os mapas digitais ignoravam, forçando o SUV dos mercenários a uma manobra brusca que os deixou presos entre colunas de um viaduto. O som do metal amassando contra o concreto abafou os gritos de frustração dos perseguidores.

Ele foi encurralado em um armazém abandonado no porto. O ar estava impregnado com maresia. Doze homens da elite de segurança formavam um semicírculo, os coldres destravados. O líder, um homem de cicatriz fina no lábio, deu um passo à frente.

— O Arquiteto não gosta de pontas soltas, Arthur. Entregue o dispositivo.

Arthur manteve o pulso lento, a postura de quem não conhece o medo.

— Vocês servem a um fantasma — a voz de Arthur cortou o silêncio. — Se me matarem, a chave de criptografia que enviei para o servidor de Beatriz será ativada. Em dez minutos, a podridão deste império estará exposta para o Comitê.

Ele estava cercado, a morte a um suspiro de distância, mas o pen-drive brilhava em sua mão como uma promessa de destruição total. A guerra havia começado, e o tabuleiro estava prestes a ser virado.

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