Novel

Chapter 4: O Prontuário Oculto

Arthur infiltra o sistema do Hospital Santa Cecília, obtendo provas da lavagem de dinheiro da família. Ele confronta Helena, que, percebendo a queda iminente do Patriarca, propõe uma aliança secreta para derrubar o pai em troca de acesso aos dados financeiros. Arthur assume o controle da cirurgia crítica do deputado, humilhando o cirurgião-chefe.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

O Prontuário Oculto

O silêncio no centro administrativo do Hospital Santa Cecília não era paz; era a calmaria que precede a falência. Arthur caminhava pelo corredor de mármore, o som de seus passos ecoando como uma contagem regressiva. Ele não era mais o parente descartável que a família mantinha na sombra. Ele era a falha no sistema que o Patriarca, em sua arrogância, acreditava ser apenas um erro de percurso.

Ele inseriu o cartão de acesso no terminal principal. Acesso Negado. Arthur sorriu, um gesto desprovido de qualquer calor. Seus dedos dançaram sobre o teclado, executando um protocolo de bypass que ele mesmo projetara anos atrás, durante as noites em que a família o forçava a compilar relatórios que nunca liam. O sistema cedeu. Ao navegar pelas pastas criptografadas, ele ignorou os prontuários de pacientes comuns e fixou o olhar no diretório 'Gestão de Ativos Estratégicos'. Ali, a podridão estava exposta: prontuários falsificados, internações fantasmas e cirurgias desnecessárias usadas para lavagem de dinheiro. O Patriarca não estava apenas arriscando vidas; ele estava construindo um império sobre um cemitério de evidências. Arthur baixou os arquivos para um dispositivo criptografado. A arma estava carregada.

Ao sair da sala, o cheiro de antisséptico no setor administrativo parecia mais carregado. A cada passo, o prontuário original do Sr. Valente — a prova cabal da negligência sistêmica — pesava na pasta de couro sob seu braço. Ao dobrar o corredor da Ala Executiva, a rota de fuga foi bloqueada por Helena. Ela estava parada diante da porta, em um terninho de corte impecável que funcionava como uma armadura. Seus olhos, afiados como bisturis, percorreram a pasta com uma voracidade que não escondia o pânico.

— Você não deveria estar aqui, Arthur. Esse prontuário é propriedade da diretoria — a voz de Helena era gélida, mas a ponta de seus dedos, pressionando a lateral da pasta, denunciava a trepidação. — Entregue-o. Agora. Ou a segurança será acionada.

Arthur parou a centímetros de distância. O desdém que ela tentava projetar era uma máscara trincada pela crise de reputação que consumia o hospital.

— A segurança? — Arthur soltou um riso curto, seco. — Helena, o Sr. Valente já deu o depoimento dele aos federais. Se a segurança me tocar hoje, o próximo documento a vazar não será um prontuário, mas a lista de contas offshore que financiam sua 'excelência' administrativa. Você sabe que o Patriarca está caindo. A questão é se você vai cair com ele ou se vai sobreviver para herdar as cinzas.

Helena empalideceu. Ela recuou um passo, a mão subindo instintivamente para ajustar o relógio no pulso — um gesto de ansiedade que ela não conseguiu conter. Arthur mantinha sua posição de domínio absoluto.

O ar na ante-sala do centro cirúrgico estava rarefeito, impregnado com o odor metálico do medo. O Dr. Aris, o cirurgião-chefe, segurava o prontuário como se fosse uma sentença de morte.

— Você não pode estar falando sério — sibilou Aris, a voz falhando. — O protocolo exige que eu lidere o procedimento. Se o deputado morrer na mesa, a culpa recairá sobre o hospital.

— O deputado não vai morrer — Arthur disse, cortante. — Ele morrerá se você tocar nele com esse diagnóstico superficial. Sua análise ignorou a insuficiência renal crônica subjacente. É negligência, Aris. E eu tenho a cópia do prontuário original que você tentou apagar.

O Patriarca, encostado à parede oposta, tinha a pele cinzenta, o peso da investigação federal pressionando seus ombros. Ele olhou para Arthur com um ódio impotente. Arthur não esperou permissão. Ele caminhou em direção à porta do centro cirúrgico, assumindo o comando. Antes que ele entrasse, Helena se aproximou, o rosto agora uma máscara de determinação fria.

— Arthur — ela sussurrou, a voz quase inaudível para os demais. — O Patriarca é um peso morto. Se você salvar o deputado e usar essa cirurgia para expor o erro de Aris, eu garanto que o conselho votará pela destituição do meu pai. Mas eu preciso que você me entregue o acesso aos arquivos financeiros. Podemos derrubá-lo juntos. O que me diz?

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced