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Chapter 11: Quebrando as Correntes

Kaelen infiltra o centro de extração, sobrecarrega seu mech para destruir o nó de controle e liberta sua família, absorvendo energia bruta que o força a um novo nível de poder enquanto o quarto andar se revela.

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Quebrando as Correntes

O ar no Setor 4-B tinha o gosto metálico de ozônio e desespero. O cronômetro no visor periférico do Sucata-V marcava 01:19:42 — o tempo que restava até que a purga da Torre selasse o setor, transformando o resgate de sua família em um túmulo de aço. Kaelen sentia o chassi do mech vibrar sob sua pele, uma extensão de metal trêmulo que mal segurava a carga de energia roubada. Cada passo era uma aposta contra a 'Lei de Piso' deste nível, que drenava a vitalidade do operador em troca de movimento. Ele não era mais apenas um mecânico; ele era um vírus inserido no coração da máquina, e o Sistema, cego pelo hack, não conseguia mais rotulá-lo como um mero sobrevivente.

Valéria observava o painel do terminal, seus dedos ágeis dançando sobre o código corrompido. O desdém que antes definia seu rosto fora substituído por uma tensão febril. Ela não era mais a aristocrata intocável; era uma fugitiva que via, pela primeira vez, a engrenagem que sustentava seu mundo girar para o lado errado. — O nó de controle está instável — a voz de Valéria ecoou pelo canal privado, desprovida de sua arrogância habitual. — Se você destruir a conexão agora, a sobrecarga vai fritar o sistema de segurança, mas pode implodir o setor com a gente dentro. É uma escolha de um segundo: a liberdade deles ou a nossa sobrevivência.

Kaelen não respondeu. Ele ajustou os atuadores do braço direito do mech, sentindo o calor da sobrecarga irradiar para sua própria coluna. À sua frente, o centro de extração do quarto andar erguia-se como um altar de aço negro, pulsando com a luz azulada da energia vital roubada. Guardas de elite, autômatos blindados, bloqueavam o acesso. Eles não eram humanos, mas a humilhação que representavam era visceral. Kaelen avançou, ignorando os avisos de erro que piscavam em vermelho na sua visão. Ele cravou a lâmina de energia no painel blindado. A tela piscou: Nível de Ameaça: Crítico.

— Kaelen, o perímetro está colapsando! — gritou seu pai, a voz abafada pelo metal, vindo de trás das caixas de suprimentos. O teto, uma estrutura de engrenagens colossais, começou a descer em um ritmo frenético. Fragmentos de dados purpúreos materializaram-se no ar, corroendo as portas. O nível de perigo saltou de 12 para 85. O Executor da Torre, uma silhueta de lâminas e luz neon fria, materializou-se no teto, bloqueando a única saída. Ele não era apenas um guardião; era a própria vontade da Torre manifestada em metal, pronta para purgar a Anomalia Classe-0.

Kaelen puxou o chip de dados incandescente da fenda. O código rodou em seus olhos, revelando a falha fatal no núcleo. Ele não tinha mais saída convencional. Com um rosnado, ele sobrecarregou seu núcleo. — Valéria, destrua o suporte de energia da esquerda! — ele ordenou, ignorando o aviso de falha sistêmica que ameaçava fritar seu sistema nervoso. Ele avançou contra o Executor, o Sucata-V brilhando com uma luz branca insuportável. No momento em que o mech colidiu com o nó de controle, a realidade ao redor pareceu se fragmentar. O centro de extração explodiu em uma onda de choque de pura energia bruta. O impacto foi avassalador, inundando os sistemas de Kaelen com dados e força que forçaram um nível acima de seu limite biológico. Enquanto o setor implodia e a Torre entrava em colapso sistêmico, a poeira baixou, revelando não apenas a liberdade de sua família, mas um novo horizonte: o quarto andar se abriu, e o que estava além não era mais metal, mas algo muito mais antigo e perigoso.

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