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Chapter 4: Fragmentos de Memória Proibida

Kael consegue decodificar o fragmento de memória de seu mentor enquanto lida com a pressão financeira e a vigilância de Lívia Aço, descobrindo que o sistema da Torre deleta deliberadamente pilotos que descobrem suas falhas.

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Fragmentos de Memória Proibida

O cheiro de ozônio e metal queimado impregnava a oficina. Kael observava a barra de status do Sucata-09 oscilar violentamente; sua dívida, cravada em 450.000 créditos, pulsava no canto do visor como uma contagem regressiva para a execução. O fragmento de memória que ele extraíra da Rota Oculta brilhava em um tom violeta instável, uma anomalia que o sistema da Torre tentava purgar.

— Vamos, seu maldito — Kael rosnou, os dedos movendo-se com precisão frenética sobre o terminal modificado.

O aviso vermelho saltou na retina de Kael: [ERRO: ARQUIVO CORROMPIDO. INICIANDO VARREDURA DE SEGURANÇA E DELEÇÃO FORÇADA]. O Sucata-09 tremeu, seus servos hidráulicos soltando um gemido metálico enquanto o sistema drenava as reservas de energia para alimentar o processo de higienização. Kael sentiu o impacto no bolso e na carne. O custo de manutenção disparou, uma punição direta por sua ascensão ao Top 500. Ele injetou um código de baixo nível, sacrificando créditos de emergência para isolar o arquivo. A tela piscou, e a imagem tomou forma: seu mentor, anos atrás, sendo cercado por uma assinatura de sistema reconhecível — a mesma que agora vigiava o próprio Kael. O mentor não falhara por incompetência; ele fora deletado por descobrir o bug que Kael acabara de explorar.

Antes que ele pudesse processar a traição, a porta da oficina deslizou. Lívia 'Aço' entrou, ocupando o espaço com a arrogância de quem nunca precisou contar créditos. Seu traje de elite emitia um zumbido que fazia os sistemas do Sucata-09 ressoarem em alerta.

— O ranking Top 500 não costuma aceitar sucatas de terceira categoria, Kael — a voz dela era fria, polida como as lâminas de seu mech. Ela parou a centímetros do trem de pouso, seus olhos escaneando o chassi com uma precisão que fez o coração de Kael disparar. — Vi seu registro de energia na arena. Aquilo não foi otimização. Foi uma anomalia.

Kael limpou as mãos sujas de graxa em um trapo, escondendo o terminal sob a bancada. O custo de manutenção subia a cada segundo de inspeção não autorizada.

— Sabe como é, Lívia. Às vezes a máquina decide cooperar apenas para me manter vivo — ele forçou um sorriso desleixado.

Lívia não se convenceu. Com um gesto elegante, ela tocou o painel externo do mech, instalando um pequeno dispositivo de rastreio de sinal.

— Continue assim, Kael. Se o seu mech for realmente tão bom quanto dizem, ele não terá problemas em ser monitorado pela elite.

Assim que ela saiu, o sistema processou a 'anomalia' de sua presença e a nova performance de Kael. O painel de controle tornou-se um carnaval de luzes vermelhas. A punição financeira foi imediata: os custos de manutenção triplicaram, drenando o combustível de dívida como uma hemorragia. O sistema não queria apenas seu dinheiro; ele queria seu silêncio. Kael olhou para o fragmento de memória, agora totalmente decodificado. A cena final não era apenas uma falha; era uma execução. O sistema da Torre, o mesmo que ditava sua vida, era o carrasco de seu mentor. Kael sabia agora: a próxima prova não seria apenas por pontos no ranking, mas pela sobrevivência em um sistema que já havia decidido que ele era o próximo a ser deletado.

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