O Custo do Primeiro Salto
O ar na arena de treinamento da Academia estalava com a eletricidade estática de uma ascensão forçada. Kael sentia cada fibra muscular protestar, uma queimação corrosiva emanando de seu núcleo enquanto o Sistema confirmava a transição para o Nível 3. O néon azulado ainda pulsava sob sua pele, um rastro luminoso que gritava sua recém-adquirida força, atraindo os olhares famintos da elite.
— Ele subiu de nível? — alguém murmurou na arquibancada, a voz carregada de uma descrença que beirava o ódio.
Kael cerrou os dentes, engolindo o gosto metálico de sangue que subia pela garganta. O dreno de vitalidade era cruel; cada segundo de pé parecia roubar uma hora de sua vida. O Sistema ecoou um alerta crítico em sua visão periférica: Vitalidade: 8%. Ele forçou um sorriso arrogante, mantendo a postura rígida, mesmo quando seus joelhos tremiam sob o peso da exaustão. Ele precisava sair dali antes que a fragilidade revelasse a farsa de sua invencibilidade.
Ao cruzar os corredores de aço da Academia, o zumbido metálico das paredes parecia amplificar a agonia em seus ossos. Foi então que a presença de Mestre Vane interceptou seu caminho. O mentor não estava ali para elogiar o desempenho; ele parou a centímetros de Kael, sua sombra eclipsando a luz dos rankings projetados nas paredes.
— O Nível 3 nunca pareceu tão caro, não é, Kael? — Vane sibilou, a voz carregada de uma autoridade que pesava toneladas. Ele estendeu a mão, pairando-a perigosamente perto do peito de Kael, onde a energia atípica ainda tentava se estabilizar. — Sorte não altera a lei da Torre, nem forja uma assinatura energética tão... atípica. Você não apenas subiu de nível, você violou uma rota que deveria estar selada. Se a Academia descobrir o que você esconde, não haverá expulsão. Haverá apenas um apagamento.
Vane deixou o aviso pairando no ar frio do corredor, um lembrete sinistro de que cada ganho de Kael era agora um alvo pintado em suas costas.
No pátio central, a pressão não diminuiu. Lívia, a prodígio da linhagem dominante, bloqueou seu caminho. O perfume caro de ozônio e flores frias dela misturou-se ao cheiro metálico do suor frio de Kael. Ela o encarou com uma paranoia gelada, seus olhos estreitados em uma análise predatória que desnudava qualquer tentativa de disfarce.
— Você é um erro de cálculo, Kael — disse ela, sua voz um fio de seda cortante projetado para que todos ouvissem. — O que você roubou da Torre para forçar esse número?
Kael respondeu com uma calma que desestabilizou a rival, provando que ele não era mais o alvo fácil de ontem. — Talvez a Torre tenha cansado de ver você no topo, Lívia.
Ela saiu furiosa, jurando que ele não sobreviveria ao próximo teste público. Sozinho em seu alojamento, Kael desabou no chão frio. O Sistema vibrou com uma urgência agressiva. O custo do primeiro salto fora brutal — uma febre que parecia derreter seus ossos —, mas o visor flutuante revelava algo novo: [Rota Oculta: Andar 4 - Acesso de Emergência]. O relógio contava doze minutos antes que a rota se fechasse para sempre. Kael cerrou os dentes. Ele não tinha escolha. Ele se levantou, a dor sendo apenas o combustível para sua ascensão, e deu o primeiro passo em direção ao andar selado que começava a brilhar, revelando um novo patamar de poder antes mesmo que a poeira de sua última vitória baixasse.