Aliança de Conveniência
O zumbido dos dutos de ventilação no subsolo técnico da Academia era a única trilha sonora de Leo. Escondido atrás de um painel de energia, ele sentia o corpo vibrar — uma drenagem residual do Andar 5 que ameaçava sua estabilidade. Diante de seus olhos, o cronômetro do sistema projetava uma contagem regressiva em vermelho sangue: 23:14:02. O duelo público não era apenas um teste; era um dispositivo de eliminação institucional.
Um passo ecoou no corredor. Perfume de ozônio e uma aura de superioridade inconfundível. Sofia parou na entrada, seus olhos percorrendo a aura instável que emanava de Leo. O Tier 1 que ele alcançara na última infiltração ainda tremeluzia, uma ferida aberta na hierarquia da Academia.
— Você se esconde como um rato, Leo, mas o cheiro de código corrompido é impossível de disfarçar — disse ela, a voz fria. — O duelo de amanhã não é uma disputa de ranking. Vane não quer apenas que você perca. Ele quer o fragmento de memória que você trouxe do Andar Proibido. Ele acredita que é a chave para o núcleo da Torre. Se você cair, eu serei descartada logo em seguida para garantir que o segredo morra com nós dois.
Leo sentiu o peso da verdade. A rivalidade de Sofia não era uma escolha, era uma gaiola. Ele não respondeu com palavras, mas estendeu a mão, ativando o Fragmento de Memória. O ar ao redor de sua palma oscilou, distorcendo a luz dos sensores de monitoramento de Vane espalhados pela sala. Em segundos, os dispositivos começaram a chiar, sobrecarregados por uma assinatura de dados que não deveria existir no sistema oficial.
— Vane está nos usando como peças de reposição — Leo disse, a voz cortante. — Se você quer manter sua família fora do alcance dele, a única saída é queimar a teia. Juntos.
Sofia hesitou, o rosto pálido sob a luz bruxuleante dos hologramas de erro. O sistema de Leo exigia um sacrifício: energia vital compartilhada para estabilizar a quebra de segurança. Era um custo alto, que a deixaria vulnerável perante a elite, mas ela assentiu. Eles forjaram uma aliança frágil, uma trégua de sangue e código, selada pelo desespero mútuo.
Eles se moveram para o setor de infraestrutura da Torre, onde a barreira de Vane impedia o acesso aos níveis proibidos. O cronômetro piscava em vermelho escarlate: 24 horas para o duelo, mas apenas segundos para a sabotagem. Leo mergulhou a mão na interface holográfica do pilar central e injetou o código corrompido. O som foi um estalo seco, seguido por um zumbido grave que fez os dentes de Leo vibrarem.
O pilar de segurança, antes imponente, começou a rachar. Alarmes dispararam, mas o que veio a seguir foi pior. O colapso do núcleo de energia não apenas desligou a segurança; ele forçou o sistema da Academia a revelar um mapa oculto da Torre — uma arquitetura de dados que expunha a instituição não como uma escola, mas como um filtro de coleta de dados para uma entidade superior.
Leo sentiu seu sistema emitir um novo alerta, uma notificação que o gelou: o duelo de 24 horas fora antecipado pelo sistema da Academia para o momento em que o mapa fosse totalmente carregado. Ele e Sofia não tinham mais um dia; eles tinham minutos antes que toda a infraestrutura da Academia se voltasse contra eles, e o próximo andar da Torre se abrisse como uma tumba.