A Sombra de Vane
O martelo de madeira do Diretor Vane atingiu a bancada com um estalo seco, silenciando o auditório. O som não era apenas um chamado à ordem; era o selo de uma sentença.
— Leo Vance, a sua desqualificação é um imperativo de segurança — Vane anunciou, a voz destilando uma autoridade fria que reverberou pelas paredes de mármore. — O registro do seu último andar é impossível para um Nível 12. Você manipulou os protocolos da Torre. A evidência de corrupção nos dados é irrefutável.
Leo permaneceu no centro do palco, sentindo o peso de centenas de olhares. As telas holográficas atrás de Vane exibiam gráficos de performance distorcidos, pintando a vitória de Leo como um erro de sistema. O suor frio escorria por sua espinha, mas ele não recuou.
— Diretor, o senhor chama de 'hack' o que o Sistema chama de 'conquista' — Leo respondeu, sua voz firme, amplificada pelo microfone. — Se eu usei um exploit, por que a Torre não me baniu? Por que a recompensa do Limpador ainda pulsa no meu núcleo?
Vane soltou uma risada desdenhosa. Ele ativou o painel central, projetando uma simulação da luta. — A lógica é simples. O sistema da Torre é infalível. Se você sobreviveu onde deveria ter perecido, a falha reside na sua conexão, não na minha análise. Você está suspenso, Vance. Até que prove sua lealdade, você é uma anomalia em quarentena.
Leo saiu do auditório sob o peso de um silêncio hostil. Assim que a porta pesada se fechou, a interface do seu sistema brilhou com uma urgência febril: [MISSÃO DE INFILTRAÇÃO: ANDAR 5. TEMPO RESTANTE: 00:14:59. RISCO DE EXECUÇÃO: 90%].
Três guardas da Academia bloqueavam o corredor, as mãos repousando sobre as adagas de contenção. O veterano à frente deu um passo à frente, o rosto uma máscara de desdém.
— Você está suspenso, Vance. Saia agora, ou teremos que garantir sua remoção definitiva.
O cronômetro descia. Leo não perdeu tempo com palavras. Ele invocou o Fragmento de Memória do Andar Proibido, injetando sua assinatura na fechadura digital da Torre. O código de Vane, antes impenetrável, estremeceu e se desfez como teia de aranha. O portal brilhou em um azul elétrico, sugando Leo para dentro antes que os guardas pudessem reagir.
O ar no Andar 5 tinha gosto de ozônio e código corrompido. Leo caiu de joelhos, a respiração em espasmos. [STATUS: DRENAGEM VITAL ATIVA]. O sistema não era uma sugestão; era um veredito. Se ele não convertesse aquele fragmento em um salto de Tier antes que o tempo zerasse, a drenagem consumiria sua assinatura biológica. Ele mergulhou os dedos na projeção holográfica. A dor foi imediata, uma agulha fria perfurando sua medula. Ele forçou a integração, sentindo o código fundir-se às suas células. No instante em que o cronômetro zerou, seu Tier subiu, mas a exaustão o deixou prostrado.
Uma silhueta cortou a penumbra: Sofia. Seus movimentos eram contidos, desprovidos da arrogância habitual.
— Você é um erro que se recusa a ser corrigido, Leo — ela disse, a voz ecoando contra as paredes rúnicas. — Vane preparou uma execução pública. Se você subir esse nível, não haverá retorno. Ele vai selar a rota atrás de você.
O sistema projetou uma interface entre eles. O custo da trégua de Sofia brilhava em vermelho: Entrega da Chave de Memória do Andar Proibido. Ela queria o fragmento. Leo olhou para ela, o cansaço dando lugar a uma frieza estratégica.
— Você quer o fragmento para manter seu ranking, Sofia. Mas se eu cair, o sistema de Vane não vai parar em mim. Você é a próxima peça a ser descartada.
Ele recusou a oferta com um gesto seco. Sofia partiu, deixando-o sozinho. Ele sabia: para sobreviver ao duelo de amanhã, ele teria que transformar a própria falha da Torre em sua arma.