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Chapter 6: O Cerco se Fecha

Arthur e Beatriz analisam as provas contra a Orion, enquanto Sampaio, desesperado, contrata milicianos para eliminar Arthur. O plano de emboscada falha quando Arthur neutraliza os agressores com eficiência letal, enviando uma mensagem direta de guerra a Sampaio.

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O Cerco se Fecha

O escritório de Beatriz Alencar cheirava a café frio e ozônio. Sobre a mesa de mogno, o envelope deixado por Elias, o contador de Ricardo Sampaio, não era apenas papel; era uma sentença de morte. Beatriz observava Arthur Viana, que examinava os documentos com a calma de quem lê um mapa de campo minado. A luz do crepúsculo, filtrada pelas persianas, cortava o ambiente, destacando a palidez da herdeira.

— Elias não morreu por um erro de cálculo, Beatriz — Arthur disse, a voz desprovida de hesitação. Ele não olhava para ela, mas para a lista de transações que conectava, de forma inequívoca, o Grupo Orion à liquidação forçada do hospital. — Ele foi silenciado porque carregava a chave de toda essa estrutura. Sampaio é apenas a fachada; o dinheiro que financiou o atentado contra seu pai veio daqui.

Beatriz tocou um dos papéis. A brutalidade da execução de Elias, ocorrida poucas horas antes, ainda a perseguia. Ela sentia o peso do hospital sobre seus ombros, não mais como um negócio, mas como um campo de batalha onde o inimigo não usava apenas advogados, mas atiradores.

— Orion… eles não são apenas investidores. Eles são o cartel — ela sussurrou. — Se isso vier a público, o hospital não será apenas leiloado. Eles vão destruí-lo antes que qualquer auditoria possa validar essas provas.

Arthur fechou o envelope com um estalo seco. — Eles não terão a chance. A partir de agora, o controle de segurança é meu. Não saia da minha vista.

*

Na cobertura de Ricardo Sampaio, o ar era rarefeito, carregado com o cheiro de charuto caro e a exaustão de quem viu seu império ruir em uma tarde. Ricardo caminhava de um lado para o outro, o reflexo do vidro da janela mostrando um homem cujas mãos, antes firmes ao assinar contratos de milhões, agora tremiam. A auditoria externa não era mais uma ameaça distante; era um cutelo sobre seu pescoço.

À sua frente, sentado no sofá de couro italiano, um homem de ombros largos e cicatrizes mal disfarçadas observava a cena com desdém. Ele era o elo com a milícia que Sampaio usava apenas para 'problemas logísticos'.

— Arthur Viana não é um operário qualquer, Sampaio — o miliciano disse, a voz rouca cortando o silêncio. — Meus homens investigaram. O cara é um fantasma. Ele não se move como alguém que teme a lei.

Sampaio parou, a face pálida. — Eu não pago para ouvir análise psicológica. Eu pago para que ele desapareça antes que a imprensa receba o restante dos documentos. O hospital, a offshore, o nome da Orion... se isso vazar, eu não sou o único que cai. Você também.

O miliciano soltou uma risada seca. — O risco subiu. O preço dobrou. E se ele for o que dizem, talvez nem o dobro seja o bastante.

Sampaio sentiu o gosto amargo do desespero. Ele autorizou o pagamento, selando seu destino ao se envolver diretamente com o submundo criminoso.

*

O silêncio dentro do sedã blindado de Beatriz era absoluto. Arthur mantinha os olhos fixos no retrovisor. A pressão no ambiente não vinha do trânsito, mas da percepção aguçada que ele desenvolvera em anos de conflitos assimétricos: o padrão dos veículos atrás deles era um erro tático grosseiro.

— Você está estranho, Arthur — Beatriz murmurou, as mãos apertando a bolsa com os documentos.

Arthur não respondeu. Ele observou um SUV preto reduzir a distância, ignorando as faixas de rolagem. Era uma manobra de encurralamento, a assinatura clássica da milícia. Ele girou o volante com precisão cirúrgica, forçando o carro para uma saída secundária, um beco industrial que ele memorizara ao estudar o terreno da cidade.

— Abaixe-se — a ordem de Arthur foi baixa, carregada de uma autoridade que não permitia hesitação.

O carro derrapou, parando transversalmente na entrada de um galpão abandonado. O guincho dos freios dos perseguidores preencheu o ar. Quatro homens desceram, armados, com a confiança de quem esperava uma presa fácil.

Arthur saiu do carro, parado sob a luz fraca de um poste. O primeiro agressor avançou com um soco direto. Arthur não bloqueou; ele desviou com a palma da mão, usando o próprio impulso do homem para girá-lo contra o segundo, que sacou uma faca. Com uma precisão cirúrgica, Arthur atingiu um ponto de pressão no pulso do sujeito. A lâmina caiu com um tinido metálico. Antes que o terceiro pudesse reagir, Arthur já estava dentro de sua guarda, aplicando uma chave de braço que forçou o homem a cair de joelhos, gemendo de agonia.

Em menos de dez segundos, a milícia estava no chão. Arthur pegou o celular de um deles, discou o número de Sampaio e encostou o aparelho no ouvido do mercenário, forçando-o a gemer para o magnata do outro lado da linha.

— Sampaio — Arthur disse, sua voz fria como o aço. — A próxima vez que enviar alguém, mande alguém que saiba morrer em silêncio. A guerra chegou à sua porta.

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