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Chapter 9: O Convite do Diabo

Arthur infiltra o Círculo Interno, confronta a elite da cidade e revela que adquiriu todas as dívidas que sustentam o poder deles, desmantelando a fachada de invulnerabilidade do consórcio.

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O Convite do Diabo

O salão do Círculo Interno não cheirava a luxo; cheirava a ozônio e a uma frieza calculada que tentava disfarçar o pânico. Arthur Vale atravessou as portas duplas com a cadência de um predador que não pedia licença, mas que vinha cobrar uma dívida há muito esquecida. O silêncio que caiu sobre o grupo de homens em trajes sob medida não foi de reverência, mas de um desdém tátil. Para eles, Arthur ainda era o pária, o homem que retornara das cinzas apenas para ser esmagado pela engrenagem daquela elite.

— O senhor está atrasado, Vale — disparou o conselheiro Mendes, sem desviar os olhos do copo de cristal. Suas mãos tremiam levemente. — E, francamente, seu convite foi um erro administrativo que pretendemos corrigir ainda esta noite. Este não é lugar para ex-exilados que brincam de auditoria.

Arthur não parou. Ele ignorou o convite para a mesa principal, caminhando até o terminal de controle oculto atrás de um painel de mogno. Com um gesto preciso, conectou seu dispositivo de criptografia. A tela, antes exibindo gráficos de crescimento sustentável, começou a oscilar com uma sequência de erros críticos. A elite da cidade — homens que moldavam leis e mulheres que determinavam o valor das vidas nos hospitais — observava-o com uma mistura de curiosidade venenosa e desprezo cultivado.

— O que você está fazendo? — a voz de Beatriz soou pelo comunicador, tensa, vinda da central do hospital. — O firewall do Círculo está tentando isolar nosso acesso. Eles descobriram a intrusão.

— Deixe-os tentar — Arthur respondeu, sua voz um contraste gélido com o pânico crescente na sala. — Eles não estão lutando contra um vírus. Estão lutando contra a matemática das próprias dívidas.

Ele se virou para a mesa, onde o Presidente do Conselho, um homem cujo nome era sinônimo de fundações bancárias inabaláveis, o observava com olhos desprovidos de calor.

— O lugar do senhor Sampaio está vazio, Vale — disse o Presidente, sua voz cortando o burburinho como uma lâmina fria. — A prisão dele foi um espetáculo de mau gosto. Tentar preencher o vácuo de poder com arrogância é um erro fatal para alguém sem linhagem.

Arthur retirou a pasta de couro fino de dentro do paletó e a pousou sobre a superfície polida. O som do impacto foi seco, um tiro de partida no meio da tensão.

— Linhagem é um conceito para quem ainda acredita na ilusão da permanência — respondeu Arthur, mantendo a voz baixa, letalmente calma. — Durante meses, enquanto Sampaio drenava o Hospital Alencar, vocês assinaram cada uma das ordens de pagamento que sustentavam o esquema. Vocês operam sobre uma estrutura de dívidas cruzadas que eu comprei integralmente.

O salão mergulhou em um silêncio absoluto. Arthur abriu a pasta e deslizou os registros selados sobre o mogno. Ali, diante de todos, estava a sentença de morte financeira de cada família representada naquela mesa. O pânico, antes contido, agora era visível nos rostos envelhecidos e polidos dos homens que, por décadas, ditaram as regras do jogo. A hierarquia da cidade não estava mais apenas sob ameaça; ela estava desmoronando sob a pressão da verdade que Arthur agora controlava. Ele não era mais o intruso; ele era o novo credor de suas fortunas.

Arthur tocou a tela do terminal uma última vez. O sistema do consórcio travou, e a verdade sobre a corrupção da cidade começou a ser transmitida em todos os telões do salão.

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