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Chapter 12: O Relógio Parado

Elena confronta o Delegado Vargas e percebe que a prisão de Siqueira é apenas uma manobra política. Lucas entrega a ela a prova definitiva da lavagem de dinheiro da fundação. O relógio do hospital para, simbolizando o fim da pressão imediata, enquanto Elena recebe uma nova convocação para expor corrupção sistêmica, aceitando seu novo papel como caçadora.

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O Relógio Parado

O saguão do Hospital São Judas não cheirava mais a desinfetante e flores de capela. O ar estava saturado com o odor de suor, poeira e a eletricidade estática de uma multidão que finalmente compreendera a extensão da traição que sofrera. Elena Valente observava a entrada, as mãos enterradas nos bolsos do sobretudo, sentindo o peso do drive USB que ainda carregava — uma cópia de segurança que o Delegado Vargas não sabia existir.

Vargas estava perto da recepção, cercando-se de policiais federais. Ele não parecia um libertador; parecia um homem calculando o dano político.

— O depoimento do Siqueira está selado, Elena — disse Vargas, sem desviar o olhar do tumulto lá fora. — Mas os nomes que você extraiu do arquivo do Medeiros... são pesados demais para um mandado de prisão imediato. Precisamos de tempo para "correlacionar" os dados.

— Tempo é o que o sistema sempre pediu para limpar os rastros — Elena respondeu, a voz cortante. — Eu entreguei a prova do homicídio de Medeiros. Eu entreguei o mapa da lavagem. Se esses nomes não forem incluídos agora, o senhor sabe que amanhã eles não estarão em lugar nenhum.

Vargas suspirou, um som curto. Elena percebeu a verdade: a prisão de Siqueira era um sacrifício ritual para salvar o altar onde a elite local e a fundação religiosa lavavam dinheiro. Ela se tornara o alvo que precisava ser neutralizado.

Ela saiu pelo estacionamento dos fundos. Lucas estava ao volante de um sedã prata, com a irmã, Beatriz, encolhida no banco do passageiro. Ela parecia um pássaro ferido, os olhos fixos no vazio. Lucas destravou a porta, mas não acelerou. O medo ainda era uma camada espessa em seu rosto.

— O delegado vai manter o depoimento sob sigilo — Elena disse, entrando no carro. — Vocês precisam sumir antes que os sócios do Siqueira percebam que o que entregamos foi apenas a ponta do iceberg.

Lucas hesitou, a mão apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos. Ele vasculhou o bolso da jaqueta e estendeu um pequeno cartão de memória, envolto em fita isolante preta.

— O log de Medeiros não era só sobre o potássio, Elena — ele sussurrou. — Tem as contas offshore que financiam a fundação. Se você usar isso, eles não vão apenas tentar te demitir. Eles vão apagar você.

Elena pegou o cartão. O peso do objeto era uma sentença. Quando o carro de Lucas sumiu na curva da estrada, ela voltou para o silêncio do átrio. O grande relógio de parede, um monstro de metal que ditara cada um de seus passos sob pressão, tremeluziu. O ponteiro dos segundos travou entre o doze e o um. Um estalo seco ecoou pelo saguão. A engrenagem, forçada além do limite, finalmente cedera.

Elena parou diante do memorial dos pacientes esquecidos, um nicho discreto entre a recepção e a oncologia. Seus dedos tocaram a pedra fria. O nome de seu pai não estava ali, mas a sombra dele parecia pairar sobre cada letra. O sistema não era falho; ele era uma máquina de moer vidas, desenhada para que o lucro ficasse acima da dignidade.

Seu celular vibrou. Não era uma notificação do hospital, nem uma atualização do processo. Era uma mensagem de um remetente criptografado: uma oferta de trabalho que não era um convite, mas uma convocação para investigar a próxima rede de corrupção sistêmica. Ela olhou para a rua, sabendo que a caça recomeçaria. Mas, desta vez, ela não era a presa. Ela era a ameaça.

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