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Chapter 8: Infiltração

Elena e Lucas conseguem extrair a prova definitiva da lavagem de dinheiro no necrotério usando a biometria de Medeiros, mas são encurralados pela segurança e pela polícia local enquanto o alarme de incêndio é disparado.

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Infiltração

O ar no necrotério não era apenas frio; era estagnado, carregado com o cheiro de formol e a umidade que subia das lajes de pedra. Elena Valente mantinha a lanterna do celular apontada para o visor do servidor improvisado, seus olhos fixos na barra de progresso. O contador no canto da tela brilhava em um azul clínico: 23:45 para a auditoria final. Cada segundo que passava não era apenas tempo perdido; era a prova de que o sistema estava se fechando ao redor deles.

— A polícia está no saguão, Elena — sussurrou Lucas. Ele estava encostado na porta de metal, o corpo trêmulo, os olhos fixos na tela do tablet que monitorava as câmeras de segurança. — Eles não estão apenas fazendo ronda. Estão bloqueando as saídas de emergência. Siqueira deu a ordem. Eles sabem que estamos aqui.

Elena não respondeu. Ela precisava da biometria de Heitor Medeiros para desbloquear o núcleo do servidor de backup. O magnata, morto há horas, parecia observar o teto com olhos vítreos. Elena sentiu o peso da responsabilidade: o nome de seu pai, a carreira que ela construíra sobre a mentira da integridade institucional, tudo se resumia àquele drive USB em sua mão.

Ela forçou a gaveta 402. O metal rangeu, um som que ecoou como um tiro no silêncio do necrotério. Ela posicionou o scanner biométrico sobre o polegar de Medeiros. O dispositivo apitou, um som agudo que parecia um convite ao desastre.

— Vamos, seu desgraçado — ela murmurou, sentindo o suor frio escorrer pela espinha.

O sistema validou a digital. O download começou. 40%... 50%.

De repente, o sistema de som ambiente do hospital chiou. A voz de Arnaldo Siqueira, calma e autoritária, preencheu o necrotério.

— Lucas, você é um homem inteligente. Sabe que a sua irmã está sob nossos cuidados. Por que arruinar a vida dela por uma causa perdida? Entregue a Elena e o acesso será restaurado. O silêncio é a única moeda que ainda aceitamos aqui.

Lucas travou. O pânico era uma névoa espessa, quase palpável. Elena agarrou o ombro dele, apertando com força suficiente para deixar marcas.

— Ele está mentindo, Lucas. Se você ceder, ele não vai poupar ninguém. Ele precisa que sejamos os bodes expiatórios para a auditoria. Mantenha o foco. O download está em 85%.

Um estrondo violento sacudiu a porta de aço. A tranca eletrônica cedeu parcialmente sob o impacto de um aríete. Elena não hesitou. Ela arrancou o drive USB assim que o contador marcou 100%, guardando-o no bolso interno da jaqueta.

— Agora! — ela gritou, arremessando um extintor de incêndio contra a porta. O jato químico explodiu em uma cortina de fumaça branca.

Lucas, em um movimento desesperado, disparou o alarme de incêndio. Sirenes de emergência cortaram o silêncio, transformando o hospital em um labirinto de luzes estroboscópicas e caos. Eles correram para o corredor, sabendo que a prova da lavagem de dinheiro estava em suas mãos, mas a saída estava selada. Eles tinham a verdade, mas o hospital não os deixaria sair vivos.

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