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Chapter 6: Ameaça Direta

Elena escapa da segurança após forçar a saída do setor de TI, refugiando-se no necrotério. Lá, ela descobre que Heitor Medeiros foi executado duas horas antes do óbito oficial para garantir a lavagem de dinheiro. Lucas confessa que sua irmã é refém de Siqueira e que a polícia local está comprada, deixando Elena sem aliados institucionais.

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Ameaça Direta

O zumbido dos servidores no subsolo do Hospital Santa Fé não era apenas ruído; era a respiração mecânica de um sistema que estava prestes a devorá-la. Elena Valente encarava o monitor, onde a mensagem ACESSO NEGADO: CREDENCIAL REVOGADA pulsava em um vermelho clínico. O relógio no canto da tela marcava 23:42. Vinte e quatro horas para a auditoria de limpeza. Vinte e quatro horas para que a verdade sobre Heitor Medeiros fosse incinerada junto com os logs de lavagem de dinheiro.

Passos pesados ecoaram no corredor de concreto. Não eram passos de ronda; eram de caça. Elena sentiu o peso do drive USB no bolso interno do blazer — um pedaço de plástico que valia mais que sua vida e menos que a reputação da fundação religiosa que financiava o hospital. O ponto eletrônico em seu ouvido estalou.

— Elena, saia daí! — A voz de Lucas era um fio de ar, distorcida pelo pânico. — Eles viram o acesso forçado. Estão no setor de TI.

— Abra a porta, Lucas. Agora.

— Eu não posso! — O grito dele foi um soluço contido. — Siqueira está na ala pediátrica. Ele está com a minha irmã. Se eu abrir, ele termina o que começou com Medeiros. Ele me deu dez minutos para você ser eliminada, ou ela será a próxima a receber uma 'medicação' errada.

Elena não respondeu. A traição de Lucas era um golpe, mas o desespero dele era uma arma apontada para sua própria cabeça. Ela não perdeu tempo com apelos morais. Com a precisão de quem conhecia as entranhas daquela estrutura, ela arrancou o painel de manutenção da parede e forçou um curto-circuito nos fios expostos. Faíscas azuis iluminaram o corredor por um segundo antes da trava eletromagnética ceder com um estalo metálico. Ela escapou para a penumbra do corredor segundos antes de uma lanterna varrer o local onde ela estivera.

O hospital estava em bloqueio. Cada sensor de movimento era um olho de Siqueira. Elena correu, os saltos abafados pelo carpete, até encontrar o refúgio mais improvável: o necrotério. O ar ali era denso, impregnado com o cheiro de formol e o silêncio dos que não podiam mais testemunhar. Os sensores estavam desativados para manutenção. Ela deslizou até a estação de registros, a luz azulada da tela revelando o que o sistema oficial tentava esconder.

Seus dedos tremiam sobre o teclado. O registro de Heitor Medeiros não batia. O magnata não morrera às 22:00; o log de movimentação indicava que o corpo fora removido da UTI às 20:15. Medeiros não fora vítima de uma falha médica; fora executado para que a transferência de fundos da fundação fosse concluída antes da auditoria. Elena sentiu o sangue gelar. Ela não era apenas uma investigadora de riscos; ela era uma testemunha ocular de um homicídio institucional.

Ela acionou o rádio, a voz cortante.

— Lucas, eu tenho a prova. Medeiros foi retirado da UTI às 20:15. Siqueira assinou a ordem.

— Elena, pare! — Lucas implorou. — Siqueira não está apenas vigiando; ele está usando a ala pediátrica como uma prisão. Se você sair com esse drive, a máquina dela será desligada. Eu não posso escolher entre você e ela.

— Se eu for capturada, você também será. Siqueira não deixa pontas soltas — Elena sibilou, a autoridade fria sobrepondo-se ao medo. — A única forma de salvar sua irmã é se eu levar essa prova para fora. Se eu cair, vocês serão os próximos 'erros médicos'.

Um silêncio pesado, quase insuportável, seguiu-se. Lucas finalmente cedeu, a voz reduzida a um sussurro que carregava o peso de uma sentença.

— Eles não estão apenas vigiando o hospital, Elena. A polícia local... o distrito inteiro está na folha de pagamento da fundação. Eles não vão te prender. Eles vão te fazer desaparecer antes de você chegar ao portão. Siqueira me obrigou a entregar sua localização em tempo real. Eu não tive escolha.

Elena olhou para o drive em sua mão. A armadilha não era apenas o hospital; era a cidade inteira. O relógio na parede marcava 00:15. A auditoria estava se aproximando, e a polícia, o hospital e a fé dos peregrinos eram apenas engrenagens de uma máquina de moer gente. Ela precisava de um plano que não dependesse da lei, mas de algo que Siqueira não pudesse controlar: o caos.

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