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Chapter 5: O Relógio Acelera

Elena consegue extrair os logs de lavagem de dinheiro, mas o custo é altíssimo: Siqueira antecipa a auditoria e usa a irmã de Lucas como refém para forçar a destruição das provas. Elena termina o capítulo encurralada no setor de servidores enquanto a segurança se aproxima.

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O Relógio Acelera

O zumbido dos servidores no subsolo do Hospital Santa Fé não era mais um ruído de fundo; era a contagem regressiva de um executor. Elena Valente encarava o monitor, onde a luz vermelha pulsava no ritmo exato de sua pulsação. O aviso na tela era inequívoco: Acesso negado. Protocolo de Auditoria Antecipada: 24 horas.

Arnaldo Siqueira não estava apenas limpando os registros; ele estava apagando a existência de Heitor Medeiros e, consequentemente, a dela. O alarme silencioso vibrou pelo piso de metal, uma ressonância que subiu pelos seus calcanhares como um aviso de execução iminente. As portas magnéticas do setor selaram com um estalo metálico seco, transformando a sala em uma cela de vidro.

Elena conectou o drive de emergência ao terminal, ignorando o erro de integridade. Enquanto a barra de progresso rastejava, o sistema começou a deletar os logs de transações bancárias. O hospital não era apenas um prédio; era uma máquina de lavar dinheiro blindada por fé e sangue. Se ela perdesse aqueles arquivos, seu pai morreria duas vezes: uma pela falha sistêmica que o destruiu anos atrás, e outra pelo seu fracasso em expor a mesma engrenagem hoje.

O ar na sala era gelado, mas o suor escorria pela têmpora de Elena como ácido. Ela conectou o rádio de emergência, a mão trêmula colidindo com a carcaça de metal.

— Lucas, me escuta. Eles anteciparam a auditoria. Se você não abrir o acesso ao subdiretório de transações agora, não vai sobrar nada. Nem você, nem eu.

Do outro lado, o silêncio de Lucas era pesado, interrompido apenas pelo som rítmico de teclas sendo pressionadas freneticamente.

— Elena, você não entende — a voz dele falhou, um sussurro carregado de pânico. — O Dr. Siqueira ativou o protocolo de vigilância total. Ele sabe que alguém está tentando extrair os logs. Se eu mexer no servidor central agora, o alarme não vai apenas tocar; ele vai enviar uma notificação de segurança direto para o celular do Siqueira. Minha irmã está na ala pediátrica, Elena. Ele a colocou lá como garantia. Se eu trair o hospital, ele a retira do tratamento.

Elena sentiu o peso da chantagem.

— Se você não fizer isso, eles vão nos matar de qualquer jeito. Abra a porta de serviço ou eu revelo sua cumplicidade no esquema de caixa dois.

Lucas hesitou por um segundo eterno antes de ceder.

— A porta está aberta, mas a segurança já está no corredor. Eles têm ordens para remover qualquer ameaça, Elena. Qualquer uma.

Ela saiu da sala, movendo-se pelas sombras da UTI. Pelo reflexo de uma vitrine, viu três homens de ternos impecáveis caminhando com a precisão de quem não estava ali para curar, mas para destruir. Carregavam maletas rígidas de desmagnetização. Siqueira os guiava, gesticulando com uma calma que soava como uma sentença.

— O protocolo de auditoria foi antecipado — a voz de Siqueira ecoou, fria e desprovida de empatia. — Quero cada bit do histórico do Medeiros incinerado antes do amanhecer. A responsabilidade deve recair sobre o plantonista da noite passada. Eles precisam de um bode expiatório, e o prontuário alterado será a evidência final.

Elena sentiu o sangue gelar. Eles não estavam apenas escondendo a lavagem de dinheiro da fundação religiosa; estavam reescrevendo a causa da morte de Medeiros para enterrar a verdade sob camadas de burocracia e fé.

Elena alcançou a saída de serviço, mas parou bruscamente. O carro de Siqueira bloqueava o portão de ferro, os faróis acesos como dois olhos fixos na escuridão. Ela recuou para a sombra de uma coluna. Não havia como sair sem ser vista. O celular vibrou. Uma mensagem de Lucas, o homem cujo desespero era agora seu único mapa: 'Eles pegaram minha irmã, Elena. Não foi um aviso. Se você sair com isso, eles a matam. Se você ficar, eu não sei o que Siqueira vai fazer com você. Por favor, destrua o drive.'

O alarme silencioso disparou em todo o prédio. Elena estava encurralada no estacionamento, segurando o drive, enquanto os faróis dos carros da segurança varriam a parede atrás de onde ela se escondia.

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