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Chapter 7: O Leilão de Vingança

Arthur manipula o leilão de jade para forçar Marcelo Rocha à falência total através de lances fantasmas e exposição pública de provas de fraude. A queda de Marcelo é consolidada, e Beatriz começa a perceber a verdadeira natureza e autoridade de Arthur.

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O Leilão de Vingança

O ar no Salão de Leilões da Avenida Paulista era denso, carregado com o perfume de sândalo e o suor frio de homens que, até ontem, ditavam o preço da vida alheia. Arthur Vane estava encostado em uma coluna de mármore, observando Marcelo Rocha. O magnata, agora um predador acuado, tremia levemente enquanto ajustava a gravata. Ele precisava do Jade Imperial do Lote 402. Era sua última tentativa de injetar liquidez em um império que Arthur já havia esvaziado por dentro.

Beatriz Alencar, ao lado de Arthur, mantinha a postura impecável, embora seus dedos estivessem cerrados sobre a pasta de couro. Ela sabia que o contrato de venda da divisão de mineração estava na mesa do leiloeiro, pronto para ser assinado assim que o martelo batesse.

— Ele vai morder a isca — disse Arthur. Sua voz era um sussurro frio que cortava o burburinho da sala. — Ele precisa desse jade para cobrir o rombo das contas que expusemos ao conselho. É a última gota de oxigênio que ele acredita ter.

— Estamos arriscando o controle da empresa em um blefe, Arthur — ela rebateu, a voz traindo uma ponta de ansiedade. — Se ele vencer, ele recupera o capital para se blindar.

— Não é um blefe. É uma armadilha. O sistema de lances fantasmas, outrora a arma favorita de Marcelo para fraudar o mercado, agora responde apenas a mim.

No telão, o preço disparou. Marcelo, ignorando os assessores que tentavam contê-lo, pressionava o botão de lance com fúria. Ele precisava daquela peça para provar aos acionistas que ainda era o predador alfa. Com um gesto sutil, Arthur injetou um lance automático. O valor saltou para um patamar astronômico. Marcelo, cego pela necessidade de dominação, não percebeu a armadilha. Ele confirmou o lance final, selando sua ruína financeira em um contrato vinculativo que drenou seus últimos ativos líquidos.

O silêncio no Salão Principal tornou-se absoluto quando o leiloeiro, sob ordens diretas da diretoria da Alencar, acelerou o martelo. Marcelo Rocha, pálido, percebeu tarde demais a manobra. O jade, embora valioso, não passava de uma distração para forçar sua insolvência.

— Cinquenta milhões! — bradou Marcelo, a voz falhando. — Cinquenta e cinco! — anunciou o leiloeiro, ignorando os protestos. — Sessenta milhões!

— Eu levo essa merda! — Marcelo deu um soco na mesa. — Aumente, Arthur! Eu sei que você está aí, seu verme inútil!

Arthur levantou-se. O salão estancou. Ele caminhou até o centro do corredor, cada passo ecoando como uma sentença de morte financeira. Ele não olhou para Marcelo; ele olhou para o leiloeiro. Com um simples toque no tablet, o telão principal mudou. Em vez do jade, o que apareceu foi a prova digital da fraude de Marcelo, selada com a assinatura de linhagem de Arthur, um código impossível de ser forjado. A falência de Marcelo não era apenas financeira; era pública, técnica e irreversível. Marcelo colapsou na cadeira, enquanto a elite, como um organismo vivo, se afastava dele, temendo a contaminação daquele fracasso.

No escritório privativo, momentos depois, Beatriz encarava Arthur. A fachada de 'homem de recados' havia caído, revelando algo muito mais antigo e perigoso.

— Você não o derrotou, Arthur — disse ela, a voz rouca. — Você o desmantelou peça por peça. Como se estivesse lendo o futuro.

Arthur virou-se. Seus olhos, antes terrenos e comuns, agora carregavam uma profundidade predatória que Beatriz nunca notara.

— O jogo nunca foi sobre jade ou mineração, Beatriz. Marcelo era apenas um peão que se recusava a entender o tabuleiro. A hierarquia desta cidade é uma construção de papel, e eu apenas resolvi aplicar a chama.

Ele deu um passo em direção a ela, e a aura que o cercava fez o ar parecer mais pesado.

— Você ainda não entende quem está diante de você. O Rei Dragão não serve a mineradoras; ele as molda.

Beatriz recuou, o coração disparado. A percepção de que a hierarquia da cidade havia mudado de mãos para sempre atingiu-a como um choque elétrico. O martelo do leilão ainda ecoava em sua mente como um sino de igreja anunciando um novo, e terrível, reinado.

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