Resgate no Submundo
A porta do escritório do Dr. Silas não apenas cedeu; ela foi desintegrada pela força bruta de Arthur Viana. O médico, encolhido atrás de sua mesa de mogno, viu o botão de pânico sob o tampo perder qualquer utilidade. Arthur não entrou como um funcionário, mas como um veredito.
— O Conselho não perdoa, Arthur. Eles têm minha família — Silas soluçou, a voz esgarçada pelo terror.
Arthur jogou uma foto sobre o tampo da mesa. O retrato mostrava a esposa e a filha de Silas em um cativeiro úmido, vigiadas por homens que não conheciam a piedade. O silêncio que se seguiu não era de hesitação, mas de uma autoridade que pesava como chumbo.
— O Conselho promete uma morte lenta para garantir sua obediência — disse Arthur, a voz cortante como lâmina fria. — Eu garanto uma imediata. Escolha a quem você serve, Silas. Agora.
O médico desabou, a fachada de diretor clínico dissolvendo-se em um amontoado de covardia e alívio. Ele entregou o cartão de acesso e os códigos de override do perímetro industrial. Arthur não perdeu um segundo. Ele não estava ali para negociar; estava ali para purgar.
O galpão na Zona Sul era um monólito de concreto e ferrugem, o refúgio onde o Conselho escondia seus pecados. Dois mercenários bloqueavam a entrada, seus corpos robustos projetando uma ameaça que Arthur ignorou com o desdém de um rei observando formigas. Ele conectou seu dispositivo de interface legada ao painel biométrico. O zumbido agudo do sistema foi seguido pelo estalo seco das travas sendo forçadas. A segurança da fundação, construída sobre o medo, era uma ilusão diante do legado dos Viana.
Dentro, o ar era denso, impregnado com o cheiro de óleo queimado e desespero. Três mercenários surgiram, a arrogância estampada em seus rostos. O líder, um homem marcado por cicatrizes, avançou com um cassetete tático.
— Você é um homem morto, verme — rosnou ele.
Arthur não respondeu. Ele se tornou um borrão de precisão. Em segundos, o mercenário estava no chão, o nervo radial inutilizado por um golpe cirúrgico. A facilidade com que Arthur neutralizou a resistência transformou a confiança dos outros dois em terror puro. Eles não enfrentavam um homem comum, mas uma força da natureza. Sem hesitar, Arthur avançou, desarmando-os com uma brutalidade metódica que não deixava espaço para o erro.
Ele alcançou a cela dos fundos. A família de Silas estava lá, aterrorizada, mas viva. Ao abrir a porta, Arthur viu o alívio transformar-se em choque ao reconhecerem o homem que os libertava.
— Saiam. Agora — ordenou Arthur, entregando-lhes um passe de segurança.
Enquanto os escoltava para fora, uma notificação brilhou em seu dispositivo: o Conselho Superior acabara de descartar o magnata responsável pela operação, tratando-o como lixo descartável. Arthur observou a cidade através do vidro do carro, a frieza em seu peito se intensificando. O Conselho achava que podia sacrificar peões para esconder seus rastros, mas eles haviam cometido um erro fatal: esqueceram que um Dragão nunca esquece quem tentou queimar suas asas. A guerra apenas começava, e o submundo, agora, pertencia a ele.