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Chapter 10: O Rei à Paisana

Arthur neutraliza a tentativa de sabotagem dos servidores do hospital, garantindo a posse das provas contra a Mesa Superior. Ele humilha Beatriz Alencar, destituindo-a publicamente, e consolida seu controle sobre o hospital enquanto a falência de Roberto Gusmão desencadeia o pânico entre os investidores. O capítulo termina com Arthur preparando o envio das provas de corrupção para as autoridades, marcando sua transição definitiva para uma força dominante.

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O Rei à Paisana

O ar no subsolo do Hospital Valente tinha o gosto metálico de ozônio e poeira de concreto. O silêncio que se seguiu ao último disparo não era de paz, mas de um vácuo de poder. Arthur Valente caminhava pelo corredor de serviço com a cadência de quem inspeciona uma propriedade privada, ignorando o mercenário que, segundos antes, tentara apagar os registros da Mesa Superior. O homem agora gemia, contorcendo-se no chão, com o pulso inutilizado pela técnica de alavanca de Arthur.

Sérgio, mantendo-se a dois passos atrás, mal conseguia processar a cena. Ele vira Arthur como o herdeiro despojado, o homem que limpava o chão, mas o que estava diante dele era um estrategista que conhecia cada ponto de pressão da infraestrutura da cidade.

— O servidor está intacto — Arthur disse, a voz calma, quase desprovida de adrenalina. Ele digitou a sequência de desbloqueio, um código que não constava em nenhum manual de TI, e o fluxo de dados da Mesa Superior começou a ser copiado para um drive criptografado. — Eles queriam apagar a conexão entre Gusmão e os leilões. Um erro de amador. Eles esqueceram que, neste prédio, as paredes têm memória.

Sérgio engoliu em seco. — A Mesa Superior não vai recuar, Arthur. Eles já iniciaram a campanha de difamação. Estão pintando você como um usurpador perigoso.

— Que continuem — Arthur respondeu, retirando o drive. — A difamação é o último refúgio de quem perdeu o controle dos fatos.

No escritório da diretoria, o clima era de exéquias. Beatriz Alencar, outrora a face da elite paulistana, parecia ter envelhecido uma década em poucas horas. Ela tentou manter a postura, mas suas mãos, pousadas sobre a mesa de mogno, tremiam visivelmente.

— Você não tem ideia do que abriu, Arthur — ela sibilou, a voz carregada de um pavor mal disfarçado. — A Mesa Superior não perdoa. Eles vão destruir o que restou do seu nome antes do amanhecer.

Arthur não se deu ao trabalho de se aproximar. Ele parou diante da janela, observando o tráfego da Avenida Paulista, um rio de luzes que ele agora controlava.

— Meu nome foi destruído por vocês, Beatriz. O que você chama de destruição, eu chamo de limpeza. Eu guardei os recibos. Inclusive os daquela noite fatídica, quando meu pai foi declarado 'inapto' por uma junta médica que você subornou para garantir a liquidação do hospital.

Beatriz empalideceu. O chão parecia ceder sob seus pés. Arthur colocou sobre a mesa um documento de rescisão e uma notificação de despejo imediato. Não houve gritos, apenas a frieza de uma sentença executada. Quando ela saiu, a equipe médica, que antes evitava o contato visual, agora se alinhava em um silêncio reverente. O status havia mudado. O zelador era o dono; o dono era um pária.

Arthur virou-se para Sérgio, que segurava um tablet com as últimas atualizações de mercado.

— A falência de Gusmão é oficial — Sérgio informou, a voz embargada pela lealdade. — Os investidores estão em pânico. Eles querem saber quem é o novo controlador do hospital.

— Diga a eles que o hospital não está à venda — Arthur respondeu. — E prepare o envio. O dossiê sobre as operações de fachada da Mesa Superior vai direto para a Polícia Federal.

Lá embaixo, no saguão, o burburinho era constante. O nome 'Dragão' começava a ser sussurrado, não como um escárnio, mas como um aviso. Arthur observou o movimento pelo monitor de segurança. Ele não se escondia mais. A guerra estava aberta, e ele detinha a chave do cofre que faria a elite da cidade cair de joelhos.

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