A Escritura de Sangue
O martelo de mogno do leiloeiro pairava no ar, um veredito final sobre o Coração de Jade. O silêncio no salão era denso, carregado pela expectativa da elite que aguardava a queda do martelo para selar a ruína de um legado. Arthur Valente, contudo, não permitiu que o som ecoasse. Ele rompeu a linha de serviço, deixando a bandeja de prata sobre uma mesa lateral com uma precisão cirúrgica.
— Lote 42, arrematado por Beatriz Alencar — anunciou o leiloeiro, a voz mecânica prestes a confirmar o fim de uma era.
Arthur deslizou a mão sob o paletó e depositou um envelope de couro envelhecido sobre a madeira polida. O impacto soou como um tiro.
— O leilão está encerrado, mas a posse é uma ficção — disse Arthur, a voz bai
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