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Chapter 2: A Armadilha do Credor

Arthur confronta Ricardo no leilão, mas descobre que Viana iniciou uma execução forçada na mansão Valente para silenciar a família. Arthur invade o sistema de segurança da antiga empresa, recupera o contrato de cessão de direitos assinado sob coação e retorna ao leilão com a prova definitiva da fraude.

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A Armadilha do Credor

O silêncio no salão da Avenida Europa não era de reverência, mas de choque. Ricardo Viana, o magnata que erguera seu império sobre as cinzas da linhagem Valente, travou diante do púlpito. O cristal de seu uísque estalou sob a pressão de seus dedos, um som seco que ecoou como um disparo. Arthur Valente, com as mãos nos bolsos do paletó gasto, permanecia imóvel. Sua postura, ereta e inabalável, desmentia a aparência de um homem comum que a elite paulistana aprendera a desprezar.

— Você ouviu bem, Ricardo — sussurrou Arthur. A voz, baixa e desprovida de qualquer tremor, carregava o peso de um tempo em que nomes valiam mais que o saldo bancário. — Aquela peça não é jade imperial. É um composto industrial sintético, tratado com resina para simular a translucidez da pedra original. Se o martelo bater, sua reputação não será a única coisa a ser leiloada hoje.

Ricardo tentou recompor a máscara de magnata, mas o suor frio que brotou em sua têmpora o traiu. Ele olhou ao redor, buscando aliados, mas os olhares dos investidores começaram a se desviar, a dúvida semeando o caos. O leiloeiro, parado no tablado, hesitou, o martelo suspenso no ar como uma sentença de morte financeira.

— Tirem esse lunático daqui — ordenou Ricardo, a voz falhando, tentando recuperar o controle com um gesto brusco para seus seguranças. — Ele é um invasor. Um ressentido que mal pode pagar o estacionamento.

Arthur não esperou. Ele deixou o centro do salão com a calma de quem caminha sobre brasas, ignorando os seguranças que o cercavam. Ele sabia que o confronto no salão era apenas a cortina de fumaça. Assim que atravessou as portas duplas, seu celular vibrou. Era uma notificação de Helena. O conteúdo era um golpe de misericórdia: oficiais de justiça haviam cercado a mansão Valente. O pretexto era uma dívida inexistente, uma execução forçada orquestrada por Viana para forçar a entrega dos últimos ativos da família antes que a farsa do leilão fosse exposta.

— Eles estão levando tudo, Arthur — a voz de Helena, pelo viva-voz, tremia sob o som de móveis sendo arrastados. — Dizem que o contrato de penhor foi executado. O que eu faço?

Arthur parou no corredor lateral, onde as luzes de cristal filtravam a poeira. Ele não correu; ele se ajustou. Sabia que Viana contava com o pânico dos Valente para que eles se escondessem enquanto o leilão terminava. A estratégia era clara: desmantelar a família antes que o escândalo da falsificação se tornasse público.

— Helena, não assine nada — ele ordenou, a voz firme. — Eles não estão apenas apreendendo bens. Estão tentando apagar a evidência da dívida original. Vou buscar o que eles juraram ter destruído.

Arthur infiltrou-se no setor de arquivos da antiga sede da empresa, agora um bastião de Ricardo. O local cheirava a couro novo e desespero antigo. Ele caminhava entre as estantes de vidro como quem retorna a um túmulo que ele mesmo ajudou a selar. O sistema de segurança era de última geração, mas Arthur não precisou de chaves. Seus dedos dançaram sobre o painel tátil, inserindo uma sequência de comandos que não constava em nenhum manual de segurança moderno. Eram backdoors da era de ouro da Valente & Cia, atalhos que Ricardo, em sua arrogância de novo rico, nunca se deu ao trabalho de remover. Para o sistema, Arthur não era um invasor; ele era o administrador soberano retornando de um longo exílio.

— Vamos ver o que você escondeu sob o tapete, Ricardo — sussurrou Arthur.

O cursor pulsou no terminal central. Ele navegou até a pasta de auditoria de três anos atrás. O arquivo que deveria ter sido incinerado apareceu na tela, marcado como "Confidencial: Destruição Programada". Ao clicar, a verdade se revelou: um contrato de cessão de direitos, assinado por Helena sob coação física e psicológica, selado com uma assinatura digital que provava, sem sombra de dúvida, que Ricardo havia manipulado a avaliação da jade para forçar a falência da família.

Arthur baixou o arquivo para um dispositivo físico. Ele sentiu o peso da traição que destruiu sua linhagem, mas não havia mais espaço para o luto. Havia apenas a necessidade de um acerto de contas. Ele guardou o documento no bolso do paletó, sentindo a textura do papel contra a pele. A prova da fraude, o segredo que sustentava o império de Ricardo, estava agora sob seu controle total. Ele ajustou as abotoaduras e voltou para o leilão, pronto para transformar a arrogância do magnata em cinzas.

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