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Chapter 11: Consequências

Lucas consegue escapar da custódia de Mendes após o upload do Protocolo V-92. Ele corre contra o tempo para impedir a cirurgia de eliminação de Helena, confrontando Mendes no bloco cirúrgico. Apesar da intervenção, o anestesista administra a substância, levando Helena ao choque anafilático no momento exato em que a polícia invade o hospital.

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Consequências

O zumbido dos servidores na sala de TI não era apenas ruído elétrico; era o som de uma contagem regressiva que atingira o zero. Lucas estava caído sobre o piso de borracha fria, o gosto metálico de sangue na boca enquanto as botas dos seguranças de Mendes, pesadas e impiedosas, cercavam-no. O upload do Protocolo V-92 estava completo. A liberação massiva de dados para servidores externos causava um efeito cascata, travando os terminais de auditoria. O sistema, enfim, morria.

— Onde está o original, Viana? — A voz de Mendes, despida da polidez corporativa, soou como um estalo. O diretor não era mais o pilar da comunidade hospitalar; era um animal acuado, com os olhos fixos na porta, esperando a polícia que ele sabia estar a caminho. Lucas sentiu o volume rígido do prontuário físico original, escondido sob a jaqueta, pressionando suas costelas fraturadas. Cada respiração era um teste de resistência. Ele não respondeu, apenas cuspiu sangue no chão imaculado. Mendes gesticulou para os seguranças. Um chute atingiu o estômago de Lucas, dobrando-o em agonia, mas ele agarrou o cabo de um servidor, usando a dor como âncora para não desmaiar.

— Você acha que venceu? — Mendes riu, um som seco, desprovido de humor. Ele sacou um rádio. — O upload público não importa se a evidência biológica desaparecer. A cirurgia de Helena foi antecipada. Ela já está na mesa.

O pânico, mais frio que o ar condicionado da sala, percorreu a espinha de Lucas. Ele derrubou o monitor à sua frente com um movimento brusco, criando um curto-circuito que mergulhou a sala em penumbra. No caos de faíscas e gritos, ele desferiu uma cotovelada no guarda mais próximo e correu. Seus passos ecoavam pelo corredor cirúrgico como disparos. O hospital, antes um bunker de silêncio, agora era um labirinto de caos institucional. Funcionários corriam, telefones tocavam sem parar e, ao longe, o som das sirenes da polícia que invadiam o saguão principal se tornava ensurdecedor.

Lucas forçou a entrada do bloco cirúrgico, o ombro ferido protestando a cada movimento. No final do corredor, Mendes esperava, o jaleco impecável contrastando com o tremor visível em suas mãos. Atrás dele, a porta da sala de Helena estava entreaberta. O monitor cardíaco emitia um ritmo frenético, um apito estridente que indicava o início do procedimento.

— O mundo pode ver os números, Lucas, mas eles não entendem a logística — Mendes sibilou, bloqueando o caminho. — Eu posso apagar você, e o sistema cuidará do resto. Deixe-me terminar o que comecei e eu garanto que o seu erro passado desaparece dos registros.

Lucas não respondeu. Ele sacou o prontuário físico original, a prova que o sistema digital não pôde purgar, e o brandiu como uma arma. A visão do documento fez Mendes recuar um passo, o rosto empalidecendo. Nesse instante de hesitação, Lucas o empurrou contra a parede, neutralizando-o enquanto os primeiros policiais, atraídos pela confusão, convergiam para o andar.

Ele invadiu a sala de cirurgia com um estrondo. Helena estava na mesa, a pele pálida sob a luz fria do foco cirúrgico. O anestesista, cujas mãos tremiam, já segurava a seringa com o composto experimental.

— Pare! — Lucas gritou, a voz rouca. — O Protocolo V-92 foi exposto! Se você injetar isso, você é um assassino!

O anestesista hesitou, mas o medo institucional falou mais alto. Ele pressionou o êmbolo. Helena reagiu instantaneamente. Seus olhos se arregalaram, o monitor disparou um alarme contínuo, e seu corpo arqueou em um espasmo violento contra as tiras de contenção. O choque anafilático era imediato. Lucas correu para o lado dela, o prontuário caindo de suas mãos enquanto o caos invadia a sala: a polícia estava na porta, o sistema hospitalar entrava em colapso total, e o tempo, finalmente, havia acabado.

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