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Chapter 5: O Custo da Lealdade

Lucas obtém a chave de decodificação de um colega de TI, confirmando que Helena é cobaia de um protocolo experimental letal. Ele mal consegue subir as provas para a nuvem antes de presenciar a remoção forçada de Helena do hospital, iniciando uma perseguição sob a pressão de 48 horas para a purga final.

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O Custo da Lealdade

O brilho azulado do terminal no arquivo morto não iluminava o ambiente; ele o expunha. Lucas Viana mantinha os dedos sobre o teclado, o som dos cliques metálicos ecoando como disparos contra o concreto úmido. Na tela, o diretório Projeto de Sustentabilidade Clínica não era apenas uma pasta; era uma sentença. A lista rolava em cascata: nomes, prontuários, e na coluna de status, a palavra que definia sua nova realidade: Descartável.

Linha 412: Lucas Viana. Abaixo, Helena Viana.

O sistema emitiu um bipe agudo. Uma barra de progresso no canto superior direito recuava: Purga de Auditoria Iniciada. 06:59 restantes.

Lucas inseriu o pendrive. A transferência arrastava-se enquanto o sistema de segurança, detectando a intrusão, selava as portas corta-fogo do subsolo. O ar tornou-se rarefeito, carregado com o cheiro de ozônio e poeira. Ele arrancou o dispositivo segundos antes da tela escurecer e correu, a respiração presa na garganta, até desaparecer na penumbra do estacionamento.

Lá fora, a chuva de São Paulo não lavava a sujeira; ela a transformava em um lodo cinzento que grudava nos sapatos. Lucas checou o relógio digital: 47 horas e 59 minutos até a purga definitiva. O peso do tablet sob a jaqueta parecia uma âncora. Marcos surgiu entre as colunas, o capuz puxado. Era o melhor engenheiro de sistemas da TI, um homem que Lucas protegera de uma demissão injusta anos atrás. Hoje, a gratidão fora substituída pelo medo.

— Você não deveria estar aqui, Lucas — sibilou Marcos, sem parar de caminhar. — Mendes bloqueou seu acesso em toda a rede. Se o sistema rastrear isso, eles me apagam junto com você.

— Eu não preciso de acesso, preciso de decodificação. O arquivo está protegido por um protocolo de nível superior. Só você tem a chave de contingência — Lucas segurou o braço do colega, forçando-o a parar sob a luz morta de um poste. — Eles me marcaram como 'descartável', Marcos. Você acha mesmo que eles vão deixar você sair vivo depois que souberem o que está aqui dentro?

Marcos hesitou, o rosto contorcido pela escolha. Ele sabia que entregar aquela chave era assinar sua própria demissão, mas a verdade no olhar de Lucas era inegável. Com um suspiro trêmulo, ele entregou um pequeno cartão de memória criptografado.

— Se isso sair daqui, eu não existo mais. Você também não.

Em um café 24 horas, Lucas abriu o arquivo. A verdade era pior que o esperado: a condição de Helena não era natural. O sistema registrava doses semanais de uma droga experimental, a V-92, ministrada sob a supervisão de Mendes para testar a falência renal induzida. O hospital não a tratava; a usava como um laboratório de baixo custo.

— Lucas, a conexão está oscilando — a voz de Marcos soou pelo celular, tensa. — O firewall detectou a intrusão. Eles estão rastreando o IP. Termine agora!

Lucas forçou a respiração. A barra de progresso da nuvem estagnou em 42%. O relógio de auditoria no laptop piscava em um vermelho agressivo. Ele estava tentando salvar a história de Helena antes que a purga apagasse a prova de sua execução. Mais dez segundos. Cinco. O arquivo subiu. Ele fechou o laptop, o coração batendo no ritmo da contagem regressiva que marcava, implacável, o tempo restante para a destruição total das provas.

De volta à rampa de emergência, Lucas ouviu o motor diesel de uma ambulância descaracterizada. Dois enfermeiros empurravam uma maca em direção à porta traseira. Sobre o lençol, Helena estava imóvel, a palidez acentuada pela luz fria. Ele correu, o piso úmido escorregando sob seus pés.

— Esperem! Parem a transferência! Ela não tem alta médica!

Os enfermeiros não vacilaram. Um segurança de Mendes surgiu na porta automática, a mão no cassetete. Lucas parou, o peso da realidade atingindo-o: ele era um erro no sistema. A ambulância começou a se mover, e Lucas, sem crachá e sem saída, correu para o seu carro, iniciando uma perseguição desesperada pela cidade que engolia seus segredos.

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