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Chapter 7: A Contagem Regressiva Final

Bia, presa no escritório de Mendes após o bloqueio do crachá, usa o grampo para escapar para o corredor de serviço. Vê Tiago sendo silenciado na ala psiquiátrica. Esconde-se no teto falso, presencia Mendes revelar que a purga está vinculada aos batimentos de Tiago, e derruba a placa para confrontar a situação, ativando alarmes e selando o andar.

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A Contagem Regressiva Final

O LED vermelho da porta piscava como um coração em fibrilação. Cinquenta e oito horas para a purga total. Beatriz Rocha estava trancada dentro do escritório do Dr. Arisvaldo Mendes, com o pen drive do Livro-Razão Negro queimando contra a pele, preso no sutiã.

Ela tentou o crachá mais uma vez. O leitor cuspiu um bipe curto e seco. Acesso negado. O plástico que abrira as portas da diretoria agora valia menos que nada. No corredor, botas táticas batiam no granito em ritmo militar. Não eram rondas. Eram limpezas.

Bia se abaixou atrás da mesa de mogno, o jaleco colando nas costas suadas. Os dedos encontraram o grampo de cabelo no bolso. O pai ensinara aquilo em noites de blecaute, quando o hospital cortava energia para esconder contas. Nunca contra cartel. Ela forçou o painel lateral da fechadura. Metal contra metal. Um clique. A porta cedeu cinco centímetros.

O corredor de serviço cheirava a ozônio e desinfetante industrial. Bia saiu, pés descalços no piso frio para não fazer barulho. No fim do corredor, um monitor de vigilância piscava. Imagem da ala psiquiátrica. Tiago algemado a uma maca, rosto inchado, sangue escorrendo do canto da boca. Dois seguranças o flanqueavam. Um deles folheava um prontuário em papel — o tipo que não deixa rastro digital.

A voz do segurança saiu pelo alto-falante, sem emoção:

— Protocolo de Silenciamento. O doutor quer ele calado antes da meia-noite.

Tiago tentou falar. Um soco na boca o calou. Bia sentiu o estômago subir. O drive pesava. Aquelas provas mostravam o leilão de leitos de UTI para o crime organizado, mas Tiago pagara com a cara. Ele não era só o técnico da TI. Era o único que sabia ligar a purga aos batimentos dos pacientes.

Ela não podia correr. Arrastou uma cadeira metálica, subiu, empurrou uma placa do teto falso. O gesso rangeu. Pó fino caiu nos olhos. Bia se enfiou no espaço apertado, placas rangendo sob o peso, até ficar exatamente acima da sala de isolamento.

Abaixo, a porta se abriu. Mendes entrou, terno impecável, voz calma como quem discute faturamento mensal.

— O garoto foi útil enquanto serviu. Mas dívida com o conselho não é só dinheiro. É vitalícia. Ele sabia demais sobre os leilões.

Mendes tocou o terminal. A tela acendeu: 57 horas e 41 minutos. Uma janela nova surgiu em vermelho vivo:

Purga vinculada à frequência cardíaca de Tiago S. Parada cardíaca → exclusão total dos servidores em 60 segundos.

Bia mordeu o lábio até sentir gosto de sangue. A vida dele era o gatilho agora. Se Tiago morresse, o Livro-Razão Negro desapareceria junto. Ela empurrou a placa com força. O gesso despencou com estrondo.

Mendes girou, máscara benevolente rachando:

— Segurança! Intrusão no teto! Trancem o andar!

Alarmes uivaram. Portas de aço desceram com clangor metálico. O crachá de Bia emitiu um último bipe e apagou de vez. Ela estava presa no território inimigo, provas no corpo, segurança subindo as escadas.

Do alto, ainda viu Mendes olhar para o monitor. A frequência cardíaca de Tiago piscava em amarelo. O relógio da purga continuava descendo. E agora também contava os batimentos dele.

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