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Chapter 11: O Preço da Justiça

Bia confronta a polícia com o prontuário que incrimina Viana, enquanto Léo finaliza o upload das provas para a nuvem. A revelação de que Viana foi o responsável direto pelo erro médico do passado de Bia é confirmada. O sistema de purga é interrompido, mas Bia recebe um aviso sinistro de que a rede de proteção de Viana transcende o hospital.

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O Preço da Justiça

O ar na doca de carga do OmniHealth tinha o gosto metálico de ozônio e desespero. Bia Rocha, com o prontuário original do familiar cravado contra o peito como um escudo de papel, sentiu o peso do silêncio ser rompido pelo uivo das sirenes. As luzes azuis e vermelhas das viaturas pintavam as paredes de concreto com um ritmo frenético, cercando a saída dos fundos. Marcelo Viana havia escapado pela escuridão do estacionamento, mas deixara para trás a prova definitiva de sua vilania: uma assinatura, uma data e a confissão silenciosa de um erro cirúrgico que, em 2014, destruíra a vida de Bia.

— Mãos ao alto! Solte o documento, Rocha! — o oficial à frente não escondia a tensão. O coldre estava aberto.

Bia não se moveu. O pânico de ser encurralada pela lei que ela tentara desesperadamente invocar era um nó na garganta. Atrás dela, Léo estava encolhido no chão, o laptop conectado ao terminal de rede. A barra de progresso do servidor espelho, antes estagnada, agora pulsava em 98%. O sistema OmniHealth, como um organismo em agonia, tentava purgar os registros, mas o acesso root de Léo mantinha a porta aberta.

— Eu não vou soltar — a voz de Bia saiu firme, apesar do tremor que lhe percorria os dedos. — Esse prontuário é o atestado de óbito de todo este sistema.

Ela abriu a pasta. As páginas amareladas, com carimbos de 'confidencial' rasurados, exibiam a caligrafia de Viana. Ao ver o nome do diretor clínico, o delegado hesitou. Bia aproveitou o segundo de dúvida e conectou o drive de emergência ao terminal de Léo.

— Agora, Léo. Transfira tudo.

O técnico, com o rosto pálido e suado, digitou a sequência final. O firewall do hospital tentou bloquear o comando, mas a chave mestra de Léo rompeu a barreira. A tela brilhou. O prontuário, agora digitalizado e autenticado, começou a ser disparado para a nuvem pública.

— Eles vão me matar, Bia — sussurrou Léo, os olhos fixos nos policiais que avançavam. — Viana não agiu sozinho. A rede é maior do que este hospital. O que você tem aí é apenas a ponta do iceberg.

Bia ignorou o medo dele. Seus olhos estavam fixos na tela. A revelação atingiu-a como um soco: Viana não era apenas um administrador corrupto; ele fora o cirurgião que, por negligência, condenara seu familiar. A justiça, que ela buscara por anos, tinha um custo pessoal que ela começava a compreender.

No instante em que o upload atingiu 100%, o relógio central do hospital parou. O zumbido dos servidores de purga cessou. O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo bipe solitário do celular de Bia. Uma notificação de um número privado brilhou na tela: 'O sistema é maior que um hospital'.

Bia olhou para o prontuário, depois para a entrada escura do hospital onde Viana desaparecera. A justiça tinha acabado de começar, e o preço seria muito mais alto do que ela jamais imaginara.

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