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Chapter 10: Confronto no Subsolo

Elias confronta Viana na UTI, onde a vida de Helena é usada como moeda de troca final. Enquanto o upload das provas atinge 99%, uma equipe tática externa invade o hospital para eliminar os vestígios do Protocolo Lázaro-Beta.

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Confronto no Subsolo

O ar na UTI tinha gosto de ozônio e desinfetante vencido. Elias estava prensado contra o vidro da sala de observação, o envelope pardo em seu peito pesando como chumbo. A umidade da chuva de São Paulo, que ele trouxera dos dutos, agora manchava o papel, borrando os nomes dos pacientes que haviam servido de cobaias para o Protocolo Lázaro-Beta.

Do outro lado do vidro, Helena era apenas um contorno sob o lençol, mantida em um estado de suspensão que Viana chamava de "cuidado".

— O tempo esgotou, Elias — disse Viana, a voz desprovida de qualquer urgência, o que a tornava mais aterrorizante. Ele não olhava para Elias, mas para o monitor de sinais vitais de Helena. — O sistema de purga está rodando. Às 04:20, o Lázaro-Beta será apenas um erro de digitação no servidor.

Elias sentiu o drive USB no bolso. O upload no terminal da sala estava travado em 40%. A Almeida Equity não queria apenas o silêncio; eles queriam a humilhação total de Elias, usando sua dívida estudantil como o nó da corda que ele mesmo ajudara a trançar.

— Você não é o dono dessa instituição — Elias respondeu, a voz rouca. — Você é o zelador de um cemitério que eles vão demolir assim que o vazamento for contido. Você acha que eles vão deixar você vivo depois de hoje?

Viana virou-se lentamente. O rosto do diretor era uma máscara de calma profissional.

— A diferença entre nós, Elias, é que eu aceitei o meu preço. Você ainda tenta barganhar com a moralidade. — Viana deu um passo à frente, sacando uma arma de serviço com a naturalidade de quem empunha um estetoscópio. — Helena foi transferida para um local que não consta no prontuário. Se você soltar esse envelope, se você tentar qualquer movimento, o suporte dela será desligado. Não por uma falha técnica, mas por uma ordem direta.

Elias olhou para o monitor. O traço verde oscilava, um ritmo artificial que ditava sua vida. Ele precisava de uma distração. Seus dedos tatearam o crachá roubado no bolso, um pedaço de plástico inútil que ele ainda tentava usar para forçar o sistema.

— Você não vai matá-la — Elias disse, avançando.

O confronto foi um borrão de adrenalina. Elias não lutou por justiça; lutou por segundos. Ele colidiu com Viana, o impacto contra a bancada de medicamentos enviando frascos de vidro ao chão em um estilhaço seco. O diretor cambaleou, mas não soltou a arma.

— Escolha, Elias! — Viana gritou, a máscara de calma finalmente cedendo à raiva. — A verdade ou a vida dela.

No terminal lateral, o upload saltou para 90%. O sistema de purga rugia, mas a rede local, sobrecarregada, parecia ignorar os bloqueios. De repente, o som de botas táticas ecoou pelo corredor. Não era a segurança do hospital. Eram homens com coletes pesados, movendo-se com a precisão de quem veio para apagar uma cena de crime, não para proteger um hospital.

O upload atingiu 99%. Elias olhou para o monitor de Helena, depois para a arma de Viana. Ele tinha a prova, mas o custo era o silêncio eterno de quem ele mais amava.

O upload concluiu. O sistema travou. E a porta da UTI foi arrombada.

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