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Chapter 2: O Preço do Acesso

Elias tenta obter ajuda de um técnico de TI para descriptografar o Protocolo Lázaro-Beta, mas descobre que seu acesso foi revogado. O Diretor Viana o confronta, usando a saúde de Helena como moeda de troca. Elias tenta escapar do hospital, mas descobre que seu crachá foi bloqueado, prendendo-o dentro da instituição enquanto a contagem regressiva para a purga dos logs se aproxima.

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O Preço do Acesso

O zumbido do alarme silencioso vibrava nas paredes metálicas da sala de arquivos, um som que Elias sentia mais nos dentes do que nos ouvidos. 03:20 AM. O Protocolo Lázaro-Beta não era apenas um registro médico; era uma sentença de morte codificada em uma pasta oculta que agora pesava como chumbo no bolso de sua camisa, gravada no drive USB. Ele precisava chegar ao estacionamento subterrâneo antes que o sistema de purga automatizada, programado para as 04:00, apagasse qualquer rastro de sua conexão com o servidor central.

Elias forçou a porta de serviço, o metal rangendo contra o batente. O ar ali era denso, impregnado com o cheiro de desinfetante hospitalar e a umidade persistente de São Paulo. Ele conhecia cada atalho, cada ponto cego das câmeras, mas o hospital estava mudando. As luzes que antes piscavam em um tom branco clínico agora pareciam mais agressivas, pulsantes. Ao dobrar o corredor da ala administrativa, Elias parou bruscamente. Três seguranças atravessavam o saguão, as lanternas varrendo o chão com uma precisão cirúrgica. Ele recuou para a sombra de um nicho de extintor, o coração batendo um ritmo frenético contra as costelas. Eles não estavam apenas fazendo a ronda; estavam caçando.

Às 03:28, o suor frio de Elias não era apenas pelo ar condicionado gélido, mas pela contagem regressiva que ele sentia latejar em suas têmporas. Faltavam trinta e dois minutos para a purga. Ele precisava de alguém que pudesse descriptografar a pasta sem deixar rastros. Ricardo, o técnico sênior da TI, era sua única esperança. Elias chegou ao corredor do setor, seus sapatos ecoando como tiros em uma catedral vazia. O silêncio era clínico, opressor. Ele se aproximou da catraca e, com a mão trêmula, aproximou seu crachá do leitor de proximidade.

Bip. O som foi seco, definitivo. Em vez da luz verde habitual, um clarão vermelho cortou a penumbra. O sistema emitiu um erro fatal, um ruído metálico que parecia zombar dele. A tela do terminal exibia uma mensagem curta: ACESSO REVOGADO. CONTATE A ADMINISTRAÇÃO.

— Ricardo? — Elias chamou pelo interfone, a voz saindo fina. — Ricardo, por favor, é uma emergência. Preciso que você abra esse arquivo. É sobre o Lázaro-Beta.

O silêncio do outro lado durou uma eternidade. Então, a voz de Ricardo surgiu, distorcida e carregada de pânico: — Elias, saia daí. Eles bloquearam sua conta em todos os níveis. Você virou um fantasma no sistema. Não me procure mais. Se eu te ajudar, eu perco minha licença e minha vida. — O interfone desligou com um estalo seco.

Elias ficou imóvel no corredor. O hospital o transformara em um estranho dentro de suas próprias paredes. Ele girou nos calcanhares, a mente processando a distância entre ele e a saída, quando uma voz impecável cortou o mármore frio do saguão.

— Elias, uma palavra?

O Diretor Viana estava parado junto a um dos pilares, sua calvície polida brilhando sob a luz fluorescente. Ele não parecia um homem que acabara de ter seu sistema invadido. — Interessante. Meus técnicos não diriam que o turno está tranquilo. Tivemos uma oscilação curiosa nos logs de anestesia, quase como se alguém estivesse procurando por algo que não deveria existir. — Viana deu um passo à frente, diminuindo o espaço pessoal. — O Protocolo Lázaro-Beta é um terreno instável, Elias. Pessoas se perdem nele. O tratamento da Helena está sendo custeado pela fundação, mas contratos... contratos podem ser revogados por falta de conformidade do responsável legal. Não queremos que ela sofra por uma imprudência sua, certo?

O sangue de Elias gelou. Viana não queria apenas demiti-lo; ele queria o drive. Elias sentiu o peso do metal no bolso, um peso que agora parecia uma âncora puxando-o para o fundo.

Às 03:45, Elias correu. Ele precisava sair. O saguão principal parecia uma armadilha que se fechava. Ao longe, o som de botas pesadas contra o piso encerado denunciou a aproximação de dois seguranças. Eles moviam-se com a precisão de quem tinha um alvo específico. Elias acelerou, ignorando a pontada de dor no peito. A catraca giratória da saída ficava a menos de vinte metros. Ele alcançou o torniquete e, sem hesitar, encostou seu crachá.

O aparelho emitiu um bipe estridente. A luz vermelha fixou-se sobre ele, banhando-o em um tom de alerta. O braço de metal da catraca permaneceu trancado.

— Funcionário Elias, acesso negado — a voz robótica do sistema soou, fria e desprovida de qualquer humanidade.

Elias olhou para trás. Os seguranças haviam parado a poucos metros, as mãos repousando sobre os cintos utilitários. O hospital sabia que ele sabia, e a caçada começara dentro das paredes da UTI.

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