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Chapter 4: Fragmentos de uma Verdade

Elias e Beatriz infiltram o Arquivo Público para confirmar a natureza da relíquia. A descoberta revela que o pai de Elias foi o arquiteto de um projeto de expurgo cíclico, e que a relíquia é a chave para expor o próximo reset como um genocídio de linhagens. Beatriz sacrifica seu acesso e segurança para garantir a fuga de Elias.

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Fragmentos de uma Verdade

A chuva ácida não apenas caía; ela corroía. O som metálico contra o duto de ventilação era um lembrete constante de que a cidade estava tentando dissolver qualquer evidência que Elias carregasse. Ele estava agachado no espaço exíguo sob o Arquivo Público, o peito latejando contra a relíquia. O cronômetro em seu pulso, agora um dispositivo pirata, marcava 96 horas. O Feed não apenas contava o tempo; ele o consumia.

— Se nos detectarem, não haverá interrogatório — Beatriz sussurrou, a voz seca, desprovida de qualquer otimismo. Ela operava um terminal portátil, os dedos movendo-se com uma rapidez febril que escondia o tremor de quem sabia estar assinando a própria sentença de morte. — O lockdown subiu para nível quatro. Eles não buscam mais cidadãos, Elias. Estão caçando fantasmas. E nós somos os mais barulhentos.

Elias olhou para o próprio reflexo em uma poça de água oleosa no chão do duto. Sem identidade digital, ele era uma mancha no sistema, uma anomalia estética que o Feed precisava apagar para manter a ordem. Ele tocou o compartimento oculto da relíquia. A inscrição que decodificaram minutos antes ainda queimava em sua mente: O sangue do arquiteto sela a fundação.

— Meu pai — Elias murmurou, a voz rouca. — Ele não foi apenas um burocrata. Ele foi o arquiteto do Expurgo de 94. A relíquia não é um artefato, Beatriz. É uma confissão.

Beatriz parou por um segundo, os olhos fixos na tela. Ela sacrificou seu último token de acesso de nível três para desativar os sensores do quarteirão. O brilho ciano do cronômetro em seu pulso piscou e enfraqueceu; seu status como técnica de elite fora revogado em tempo real. Eles emergiram na penumbra do Arquivo Público Subterrâneo, um bunker de concreto úmido onde o ar tinha gosto de papel podre e ozônio. Cada passo de Elias sobre o concreto molhado ecoava como um tiro.

— Aqui — Elias parou diante de uma estante de aço oxidado. O rótulo trazia o brasão da fundação proibida. Ele puxou a pasta. O papel era áspero, amarelado pela umidade ácida. Ao abrir o registro, a verdade desabou sobre ele: o Projeto de Expurgos de Linhagem não foi um incidente isolado. Foi uma política de estado, e a relíquia, uma chave mestra, mantinha os logs de transmissão que provavam a repetição do ciclo a cada cinquenta anos.

— São três fragmentos — disse Elias, a voz falhando. — A relíquia que tenho é apenas a ponta. O próximo 'reset' do Feed não é uma atualização, é um expurgo de linhagens em escala massiva para consolidar a nova era do sistema. Eles vão apagar todos nós.

Um estrondo metálico ecoou pelas paredes. Os coletores da facção haviam rompido a primeira barreira. Beatriz, com o rosto pálido, tomou a decisão. Ela deletou todo o histórico de conversas e a rota de fuga.

— Eles querem a sua cabeça ou o meu acesso — ela disse, entregando-lhe a prova documental. — Saia pelos dutos de manutenção. Eu vou travar a porta. Se eu não sair, a relíquia é sua única chance de provar que isso não é um acidente, mas um ciclo de cinquenta anos.

Elias hesitou, mas o cronômetro no pulso de Beatriz acelerou, a contagem caindo para 93 horas. Ele correu para a saída enquanto a porta do arquivo era forçada, deixando Beatriz para trás diante do servidor. O destino de ambos estava selado, mas a verdade agora tinha peso físico em sua mochila.

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