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Chapter 6: O Código da Mentira

Elena descobre que o 'milagre' da consagração é uma sobrecarga elétrica planejada para apagar provas de chantagem de seu pai. Após um alerta de rastreamento disparado pelo sistema de Roberto Viana, Bia entrega seu cartão de acesso de alto nível. Elena sobe à torre do servidor central, percebendo que a tragédia é um design deliberado, enquanto a segurança se aproxima.

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O Código da Mentira

O ar no porão do Santuário tinha o gosto metálico de ozônio e plástico derretido. Elena não precisava de sensores para saber que a relíquia de São Lázaro era uma farsa; o calor que emanava do laptop de Bia era a prova física de uma fraude em execução. Na tela, o contador do Feed marcava 72 horas para a consagração permanente, mas o arquivo que ela acabara de descriptografar revelava a verdade: não haveria milagre. Havia apenas uma demolição controlada.

— Não é uma falha de sistema, Bia. É um roteiro — Elena disse, a voz cortante. Ela apontou para as linhas de código que se entrelaçavam com o protocolo de segurança do Santuário. — Eles agendaram uma sobrecarga elétrica proposital para o auge da cerimônia. Quando a multidão estiver mais densa, quando o Feed estiver no pico de audiência, o sistema vai fritar. O caos vai apagar os registros de chantagem do meu pai e enterrar qualquer prova de que este lugar é um cofre de segredos.

Bia estava encolhida contra a parede, a luz azul do monitor esculpindo sombras profundas em seu rosto. Ela tentou digitar, mas seus dedos tremiam. O nome de Roberto Viana aparecia em cada nível de permissão, uma assinatura digital que Elena reconheceria em qualquer lugar. A dívida de Bia, aquela coleira que a forçava a ser o rosto do milagre, não era mais apenas uma pendência financeira; era uma sentença de morte.

Elena conectou o microcircuito da relíquia ao terminal. Ela precisava injetar o código de anulação antes que o relógio atingisse a marca crítica. A interface, porém, travou. O sistema reconheceu a assinatura de Roberto Viana e, em vez de abrir, disparou um alerta vermelho que pulsou no mapa do porão. O rastreador ativado no chip, que ela acreditava ter isolado, agora emitia um sinal de localização em tempo real para a equipe de Tiago.

— Elena, para! — Bia gritou, arremessando o celular. A tela brilhava com uma notificação de Tiago: Entregue a forasteira. Dívida perdoada. O Feed não perdoa traidores.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo zumbido dos servidores. Elena olhou para Bia, vendo a batalha entre a sobrevivência e a culpa. Bia não era uma vilã; era uma vítima que ainda tentava acreditar na própria redenção. Com um movimento brusco, Bia empurrou um cartão de acesso de alto nível através da mesa.

— É o acesso de Tiago. Roubei quando ele me chamou para assinar a nova rodada de contratos — a voz de Bia era um fio de esperança. — O servidor central fica no topo da torre. Se você não desativar o roteiro agora, não haverá mais nada para salvar. Mas saiba: eles já estão vindo.

Elena não hesitou. Ela subiu as escadarias de serviço, sentindo a vibração de baixa frequência da tecnologia de indução sonora nos dentes. Cada degrau era um desafio à vigilância de seu pai. Ao atingir o vigésimo andar, o ar rarefeito e saturado de ozônio confirmou que ela estava no coração da máquina. O sinal de transmissão da cidade, visível pela janela reforçada, oscilava violentamente. O roteiro do milagre já havia sido injetado na rede. Elena percebeu, com um calafrio que nada tinha a ver com a altitude, que a tragédia programada não era um acidente, mas um design. Ela tinha 30 segundos antes que as portas do servidor fossem arrombadas pela segurança.

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